
CunetaSão
primeiro cuneto - Loa ao corpo
Saia um soneto contra essa mania
de algum nacional-puritanismo que levou um qualquer chato
a comentar desfavoravelmente
uma apreciação minha,
meramente académica, objectiva e
galhofeira, a um rotundo e estético traseiro
que passava pela rua, como se
tivesse vida própria e cantasse...
Eu canto um belo corpo de
aconchegos
Que os caralhos enconados sobrelevam
Eu canto até das conas mil
segredos
Que cantadas elas tanto nem sossegam
Mas ao cantar o ilustre
rabo lusitano
Esse pandeiro farto, essa obra de arte
Por mais certo que eu
me sinta e mais ufano
Por bem certo tenho o porem-me de parte
Pois por
mais que o povo queira e contradiga
Ou que a vida se alinde nesse
enlace
Há-de algures aparecer uma formiga
Que de mim só vê cigarra e me
desgrace
Ainda assim o cantarei!... Que ninguém nega
Que um belo rabo
nos inspira aonde passe!
O OrCa
vai levar este blog à fodência. Diz o Fernando:
"No jantar blogueiro de 2 de Abril referi ao OrCa que
entre os meus sonetos tenho um escrito há quase quatro anos a que chamei
Coneto. Tenho resistido a publicá-lo no meu blogue e o OrCa
aconselhou a publicá-lo aqui.
Pois cá chegado vejo que o OrCa escreveu um
Cuneto. Esta merda está mal. Apesar de a palavra ser diferente
soa ao mesmo, pelo que vou cobrar direitos de autor pela homofonia (não
confundir com homofodia)."
Ao abrigo do direito de resposta [quero
com este eufemismo dizer que fiquei acagaçadinha de medo] aqui fica o belíssimo
[não é graxa... ou melhor, também é] Coneto do
Fernando:
Eu canto a bela cona, a cona ardente,
a
cona que é em fodas viciada,
a cona que só espera ser regada
por torrentes
de esporra espessa e quente.
Eu canto aquela cona tão fremente,
a cona
que ambiciona ser esfregada,
que sonha ser fendida e esfodaçada
por mim,
por ti, por ele e toda a gente.
Ó cona que não páras de pingar,
buraco
fundo, húmido, obscuro,
deusa que não me canso de cantar;
jamais te
deixarei morrer à míngua,
que à falta de caralho grosso e duro
bem saciada
serás a dedo e língua.
O OrCa apela ao
direito de resposta à resposta para oder o coneto com mais um cuneto [é fodido,
Noé? Mas é erótico]:
Fernando, Fernando, ode lá tu c'o
coneto
Que em mim gerou tão intensa inspiração
É verdade! Foi ele! Mas
cuneto não é coneto
'Inda que ambos nos celebrem a função
O coneto é
de lábios, humidades
E atravessa entre as pernas quando ode
Que o cuneto
vai mais de rotundidades
E se dá de apertar é um
quem-m'acode!...
'Inda assim bem fizeste em teres-te vindo
Ó Fernando,
mergulhar na Funda São
A trazer-nos esse teu coneto lindo
Que dará muito
trabalho a muita mão!...
Se o OrCa ode, O
Fernando pode:
- Não posso
deixar de exercer o meu direito de resposta ao direito de resposta ao direito de
resposta ao direi... já me perdi, foda-se!
Pois o caro OrCa argumenta que
coneto e cuneto são diferentes, tentanto esquivar-se ao justo pagamento de
direitos de autor homofónicos. Pois para mim são o mesmo, e o OrCa, mais dia
menos dia, pagará direitos sim e homofódicos. Passo a
explicar:
Ó OrCa, que és cetáceo inspirado,
não
posso perdoar o teu delito:
em que difere papar traseiro ou pito
se ambos
são acepipe refinado?
Quando esganam caralho é tão bonito
ver as
bordas deixarem-no esgaçado...
E se os dois dão prazer ilimitado
eu como
qualquer um. Não sou esquisito.
Por isso aqui prometo, meu amigo,
que
um dia sofrerás duro castigo
(eu de pé, tu dobrado na poltrona).
Se
pra mim são iguais, tanto melhor,
porque não deve haver prazer maior
do
que comer o cu a uma OrCona.
Ao abrigo do abrigo do abrigo...
o OrCa ode:
Fernando, Fernandinho, tu nem tentes
Que
não ode um cetáceo quem quiser
E se tu ficares de pé será melhor
Que
acauteles o posterior quando te sentes
Pois ao quereres ter o OrCa assim
dobrado
Tu não topas deste corpo que é tão belo
O ingente bacamarte,
desmesurado
Que dobrado ‘inda é pior que se singelo
E dobrado,
retorcido, perturbante
E hiante com a fúria de altos mares
Em se vendo
ameaçado é retumbante
E “amanda” cus e pitos pelos ares
Mas odamos,
caro amigo, a preceito
Ou por trás, ou pela frente, ou de outro lado
Tu
conetas, eu cuneto, tudo a eito
O que importa é passar um bom
bocado!
O Fernando lá se vem com o direito
de resposta restante:
Podemos ficar nisto a vida
toda
fodendo-nos a torto e a direito...
Como tu, já nasci
insatisfeito:
não me basta uma só sessão de foda.
O teu talento não me
incomoda,
e aceito até que é falta de respeito
querer comer assim de
qualquer jeito
um gajo que tão bem sabe da poda.
Ninguém como tu ode,
ó OrCa linda,
e se eu coneto bem, tu bem cunetas,
pois não temos carência
de tesão.
Por mim dou a disputa como finda.
Vamos mas é deixar-nos
destas tretas
e comer o cuzinho à funda São.
Ai eu sou
atacada e fico-me sem me vir? Nem piçar! Eu não me chame São
Rosas se não vos oder também:
Que bom! Que bom! Vou pôr-me a (vosso)
pau
mas temo que possa ficar à míngua
caso a vossa ginástica de
língua
carências vos causar no pirilau.
Em mim terão ninho que vos
aloje
mas saberei também ser muito má
se em vez de um bom ménage à
trois
forem os dois jogar ao «fode e foge».
Venham-se a mim os
dois porque sou funda
e mais um batalhão, que a bunda abunda
num método de
senha numerada.
Não deixemos o corpo andar à toa
odamos até que o
orgasmo doa
antes de sermos pó, cinzas e nada.
O
Fernando não quer que a gaja seja a última a vir-se:
Minha linda, querida e funda
São,
gostei da referência à Florbela,
e mesmo que não odas mais do que
ela
só tu é que me enches de tesão.
Tu exprimes com encanto e
emoção
a gana de foder – grande cadela! –,
a ânsia de levar na cona e
vê-la
ressumando langonha pelo chão.
Quisera eu ter caralho
resistente
que se aguentasse em pé eternamente
pra poder consolar-te,
minha porca...
Mas saciar o teu esfaimado pito
e ofertar-te um orgasmo
infinito,
só com a ajuda do amigo OrCa.
E o
OrCa também não (São ambos uns cavalheiros, ai não, conão
São):
Não que faça questão de ter de mim
A
palavra derradeira na função
Mas sabeis bem que a vida é assim
Nem sempre
o vento nos sopra de feição
Vem ao caso que neste fim de semana
Estive
longe destas artes do rimanço...
Não importa, já que o corpo pede cama
Mas
a cama é do melhor para o afundanço
Apaziguados então que todos
estamos
E espantado como estou do poetar fixe
Estou contigo, Fernando, à
São vamos
E faremos desta São a sanduíche!
Se eu não fosse a São Rosas já tinha desistido. Mas sou:
Não vos darei em branco o meu cheque
sem
antes ver a sandes que ofertais
pois a fome que tenho pede mais
diâmetro
que um ou dois Big Mac
Mas gozo não me faltará por isso
ao ver-vos em
mergulhos caricatos
Ireis afundar até aos sapatos
se - como julgo - vos
faltar o piço
Se não for só q. b. a vaselina
escorrega e salta a
vagina
e ficais num duelo de pichotas
O cu - tal como o amor - é
cego
Ireis encaixar tipo peças Lego
Vez à vez, em sorteio sem
batotas.
O
Fernando não pode ver uma dama em apuros... ou de pernas abertas:
Não posso demitir-me da função
de
responder a tão infame ataque.
Comparares-me o pau a um BigMac
é coisa que
me parte o coração.
Pois fica então sabendo, funda São,
que o paio que
enfiarei no teu bivaque
já está catalogado – e com destaque –
nos melhores
guias de restauração.
Não há como a cozinha portuguesa
que tão bem
casa carne e hortaliça
e faz de cada prato uma
surpresa...
Vou encher-te o repolho com linguiça
e depois dessa
entrada, à sobremesa
provarás o melhor creme de
piça.
Sai um soconeto do OrCa:
Pronto, agora que já nos beijamos,
abraçamos e promovemos outros toques porventura mais subtis
nos egos recíprocos (eu não disse
reci-porcos...), saia para a mesa do canto um soconeto,
que é assim a modos que uma coisa com
mais impacto, tipo heróico, sei lá,
em prol dessa inestimável fundação que
é a Funda São...
Nesta coisa tão chique e tão de
estalo
Em que os três nos envolvemos ao
despique
Tocam já grandes sinos a
repique
E mesmo em sendo noite canta o
galo
Conotados todos estamos a
entalá-lo
Uns e outros em primores de
arrebique
Sem curar dos ardores do
alambique
Ou das mezinhas que por pudor eu
calo
Levantemos – ó meus bravos – o
estandarte
Da fecunda e mais prazenteira
função
E se a tanto nos chegar engenho e
arte
Com fervor com ternura e com
tesão
Haveremos de erguer o
bacamarte
P’rà glória universal d’A Funda
São!
O Fernando
quer dar a última, mas duvido que consiga:
Vamos mas é deixar-nos de merdas e
passar a vias de facto.
Esta conversinha mole não está com
nada. Toca mas é a afundar...
Na arte do afundanço não há ética
que
valha ao fodilhão do português.
Por isso é que não houve timidez
nesta
orgia devassa mas poética.
Uma mais um mais um é sempre três
nas
regras da mais pura aritmética,
e não deve haver soma mais profética
pois
essa foi a conta que Deus fez.
Então que esperamos p'ra passar ao
acto?
Deixemo-nos de ser fala-barato,
estou farto de conversas
amistosas!
Ergamos bem ao alto os paus ingentes
e empanturremos os
buracos quentes
da rainha das putas: a São Rosas!
O OrCa
ajuda o Fernando a piçar o tempo enquanto a São Rosas recobra o
fôlego depois deste ataque à canzana:
Punheto
Estar assim de pé sem se
conter
Um homem frente à fresta da função
Se não entra na festa é um
murcão
Uma besta sem à fresta acometer
Acometamos pois que
acometer
É por si só o alimento da razão
E se não for da razão é do
tesão
Que querer e não ir lá é de morrer
Façamos pois da vida a
alvorada
De que falam as deidades e os poetas
Mas se à fresta não
chegarmos nem por nada
Batamos, ó irmãos, bravas punhetas
Que ficar
com a vontade estrangulada
É nesta vida a mais pífia e vil das
tretas!
... que o Fernando disse que, se fosse
preciso, também pegava de empurrão!...
Nesses casos, nada como dar uma
mãozinha.
O OrCa
mudou de assunto mas o Fernando não se livra da São Rosas:
Eu bem sei que a mulher que se desfruta
É
usada como arma de arremesso
Por quem quer lugar no céu a qualquer
preço
Nem que minta, traia e... foda à bruta
Se não queres perder o
teu adereço
Que te torna - arre! - macho, então escuta:
Tu afasta-te a
correr da minha gruta
Que afunda os caralhos que conheço
Porque sexo
só me faz sentir completa
E a piça que se preza está erecta
Com orgulho eu
assumo: sim, sou puta!
Mas conheço a tua arma secreta:
Sei que nunca é
má-língua um poeta
Então faz-me um minete à la minuta
O
Fernando aproveita a distracção do OrCa (com a sua mão direita) e
dedica um 69eto à São Rosas:
69eto
Sãozinha,
sou um gajo tão porreiro
de doce coração e mente pura...
Não mereço de ti
a desventura
de ser tratado como um cão rafeiro.
O OrCa
confessou que é punheteiro,
mas eu quero que sintas a bravura
da minha
piça enorme, grossa e dura
arrebentando o teu olho traseiro.
Juro que cumprirei o teu desejo:
dar-te-ei com a língua no badejo
até
que gritos mil te deixem rouca;
mas tens que prometer-me, minha
ingrata,
que enquanto te lambuzo a bela rata
me bates à punheta com a
boca.
Pensam que o
OrCa se odeu? Não: "E se Deus não disse, devia ter dito: Irmãos, odei-vos
uns aos outros!"
É uma cambada tão passada e repassada
A
oderem-se uns aos outros sem descanso
Em cunetos e conetos e
rimanços
Palavrões e caralhada desbragada
Haja assim quem bem se sinta
na molhada
- Digo molhada confusão do afundanço -
Já que na polca
tangueada em que me lanço
Há um Fernando e uma São toda ensopada
A nós
os deuses daqueles mais desconchavados
A nós os dias de entoar ao sexo
hossanas
E lá para o fim já dolentes arrastados
Quando estivermos a
caldinhos e a tisanas
Ao rebuscar no baú velho os cortinados
Ainda riremos
destas odes tão maganas!
E depois de
tanto oder o OrCa ainda tem forças para um Mineto
Que nunca se diga “neste chão não me
ajoelharei...”
Assim sim ó São até mais não
Nesta vida pintar a manta a
sete
E se por fim se apurar que já não mete
Qualquer gajo o caralho sem
tesão
Ajeitar-se então a gaja p’rà questão
E após lhe massajar o seu
cacete
Pôr-se a jeito para um valente minete
Que ele fará ajoelhado em
oração
Porque há muita fé nisto do sexo
Porque há muita ilusão e
desengano
Porque há muito basbaque e perplexo
Interessa apurar o gosto
insano
Que se colhe nesse tão doce amplexo
De lhe ir passando o corredor a
pano.
Texto
originalmente publicado no blog a funda São desde 7 de Abril de 2005.
Sanduíche
de autores:
Fernando - Cidadão do
Mundo
OrCa - Sete Mares
São Rosas - a funda São