Cidadão do Mundo


[segunda-feira, 06 de março de 2006]

A poesia é para comer

Houve de tudo no encontro «a poesia nos blogs» que se realizou perto de Santarém no sábado passado.

Uma organização perfeita.
Salada de poesia.
Um local fantástico(*) que nos recebeu com uma selecção de entradas que mais pareciam saídas.
Poesia de escabeche.
Reencontros de camaradas de outras guerras que há anos não se viam.
Poesia escalfada.
Beijos na boca entre poetas e dezedores de poesia, entrecortados por exercícios práticos de cartomancia e pianadas eléctricas de duvidosa qualidade.
Poesia a copo.
Conversas bem-dispostas com caralhadas de permeio.
Sopa de poesia.
Bulhão Pato sem ameijoas.
Poesia engarrafada.
Um grupo singelo, resultante de um curioso cruzamento duma mão cheia de escuteiros com o coro da Capela do Rato (de antes do 25 de Abril), cantando canções populares.
Bacalhau de poesia.
Um palerma numa madrugada com um frio de rachar acenando desalmadamente num cruzamento deserto na tentativa de indicar a outros palermas o caminho para o hotel. (Não, não me viram!).
Arroz doce polvilhado com poesia.
Uma garrafa de vinho que misteriosa e espontaneamente apareceu no átrio do hotel na mala de uma senhora cuja identidade, obviamente, não revelarei.
Poesia digestiva.
Um hotel que não aceita cartão multibanco ou visa, localizado a quilómetros do caixa automático mais próximo, e que não tem qualquer aviso sobre tão invulgar facto.
Poesia com todos.

A reportagem fotográfica pode ser vista aqui, e outros relatos, bem mais fidedignos do que este, podem ser lidos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.



(*) Informação ao público: ao contrário do que à primeira vista pode transparecer para os mais dados às canções infantis, a Quinta da Ribeirinha não fica próxima do Pombal de São João e, muito menos, da Quinta Nova.

Publicado por Fernando @ 00:08 | TrackBack
Comentários

Já estive lá, tudo muito lindo, vi-te, só é pena que a maravilhosa cobertura do OrCa - (já estou íntima, viu só?) não seja com áudio, para ouvir-te e ouvir as que tem aquelas coisas (o que são caralhadas, refere-se a alho?) pelo meio.=^.^=

Ah! as eróticas, quero muito saber.. E agradecer pela ajuda importante à nossa amiga.
Mas, lembra: Musa sou só eu...afinal... bom!
Meu melhor beijinho, para o melhor amigo.

Afixado por: Meg em março 16, 2006 03:56 PM

É verdade, Fernando, estava mais que atormentada, se não teria acertado na tal senhora!! Não percebi essa da chave do sete!! Quem é que tinha uma chave com um sete?!! Ehehehehe Já me fizeste rir outra vez com as tuas palavras! E também não sei quem é que gargalhava mais alto que o barulho dos carros!! Beijinhos.

Afixado por: Paula Raposo em março 8, 2006 04:29 PM

voltei!! estive fora uns dias, vim só para desejar uma boa semana. :)

Afixado por: margarida v em março 8, 2006 01:07 AM

OrCa, o Zeca de escuta já me fez rir até às lágrimas. Que imagem liiiiiinnnda.
Agora de repente lembrei-me da definição de escuteiros do Juca Chaves, salvo erro: um grupo de crianças vestidas de parvos lideradas por um parvo vestido de criança.

Lique, não me recordo de poesia erótica no átrio do hotel... Puxando pela cabecinha, recordo vagamente uns versos no mais puro vernáculo, mas o nome do ordinário que os leu (e deu a ler) fugiu-se-me. Esta memória cada vez verga-se mais sob o peso da idade. ;)

Alexandre, se tivessem dado essa chave nada aconteceria, provavelmente . É muito difícil pintar o sete com quem não consegue fazer um quatro.

Paula, só para confirmar algo que certamente te tem atormentado desde que comentaste aqui: acertaste no nome. :)

Afixado por: fernando em março 7, 2006 11:21 PM

Fernandinho, já venho tarde, é verdade, mas a cena da garrafa de vinho está bastante incompleta! ;)
Então e aquele senhor que se lembrou de se pôr a dizer poesia erótica às tantas da matina no átrio do hotel perante o olhar estupefacto do senhor que tinha acordado só para dar as chaves do quarto a um grupo mais ou menos etilizado? Pois, foi na mesma altura da garrafa, se bem te lembras... :))
Fartei-me de rir com a tua narrativa. Está visto que devia ter vindo mais cedo!

Afixado por: lique em março 7, 2006 06:59 PM

Então e que dizer da Poesia Arrotativa, cheia de notícias do interior, com aquele alho todo misturado nos grelos... Mesmo com o frio da noite, tanta vez teve de ser aberta discretamente a janela do carro... Nem te conto!

Quinta da Roseirinha? Isso ainda são efeitos colaterais dos eflúvios, ou alguma estrofe entalada... Ribeirinha, porra! Cal Roseirinha, cais peixinhos-da-horta! A Roseirinha, a da Quinta Nova e do pombal, não dava tinto, só água benta.

Eh, pá, agora essa dos escuteiros... Eu imaginei o ZecaTelhado de escuta e até me ia dando uma coisinha má!!!

Um abraço.

Afixado por: OrCa em março 6, 2006 11:59 PM

Bemmmmmmmm Já nem me lembro de tanto rir a ler algo que presenciei... Gostava de saber aquela dos beijos! Mas foi lá para os lados de Santarém?
E ainda aquela do multibanco! Não é que se lá tivesse ficado ia ficar a dever...
Quanto ao resto no hall do hotel, espetaculo, quase me efiavam uma chave do numero sete na mão!!!!! Ia ser lindo, ai ia ia...
Abraço

Afixado por: alexandre em março 6, 2006 09:20 PM

Jorge, eu sei que a quinta é da roseirinha. Isto foi apenas uma piada privada... ;)

Ognid, a poesia escalfada estava embrulhada nuns feijões catarinos.

Afixado por: fernando em março 6, 2006 08:51 PM

Fernando,
já agradeci no meu blog a leitura do meu poema, mas volto a fazê-lo aqui. Muito obrigado, não só pelo meu, mas por todos os outros. E aproveito para dizer que temos as mesmas opiniões sobre os sonetos, com a diferença que eu não os costumo escrever.
Quanto ao (*) ali em baixo, pelo que eu me lembro, a Quinta era da Roseirinha, não da Ribeirinha. ;-)

Afixado por: Jorge em março 6, 2006 07:14 PM

A tua descrição está um mimo! Mas há aqui umas coisas estranhas nomeadamente na poesia escalfada. Tenho que ver se tenho registo fotográfico disso... Quanto ao resto eu bem te dizia que tinham sido os 3 carros a passar. Acho que ouvi umas gargalhadas que se sobrepunham ao barulho dos carros.

Afixado por: ognid em março 6, 2006 05:06 PM

leio, pasmado, as notas deste vosso encontro, e invejo-vos por cada sílaba, cada pensamento e gargalhada que partilhastes.
fico contente que, à parte do frenesim-colérico-de-gente-que-se-queixa-neste-país, outra gente não tenha perdido a vontade de viver à séria.
no fundo, no fundo, essa deve ser a motivação que falta a tanta gente: a de viver à séria.
para todos vós, os que tão abastadamente degustastes poesia neste episódio feliz, deixo-vos aqui, através do cidadão do mundo, um bem-hajam! bem-existam. bem-vivam.
sortudos...
(bem-aventurados, para os mais católico-cristãos)

Afixado por: Filipe Abreu em março 6, 2006 10:03 AM

Ahahahahahah Descrição espectacular do nosso Encontro! Já sabia que escreves bem, mas adorei ler-te! Não sei a que senhora te referes, talvez te queiras referir àquela fulana que ria desalmadamente, numas gargalhadas mais que sonoras, num átrio de Hotel, de madrugada, com a tua poesia erótica...É isso??!! Beijinhos, conto ver-vos, a ti e à Cristina (acertei no nome??!) no próximo jantar a 25.

Afixado por: Paula Raposo em março 6, 2006 09:59 AM
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