Cidadão do Mundo


[quinta-feira, 28 de abril de 2005]

Transsexualidade

Na sequência dum post do Yardbird, o nikonman desafiou outros bloguistas a escreverem trocando de sexo.
Quase sem me ter apercebido, o desafio começou a germinar devagarinho na minha cabeça, cresceu com a calma e serenidade de um rio na planície, foi ganhando forma e, quando eu menos esperava, a minha transsexualidade temporária rebentou neste...

Número perfeito

A minha língua – trémula serpente
rabiscando-te o pénis com saliva –
é um cinzel de palavras no teu ventre
que explode num poema em carne viva.

Teus lábios ágeis sorvem vorazmente
meu clítoris inchado de lascívia,
e lançam-me na força da torrente
que me alaga em loucura convulsiva.

Os bicos tumefactos dos meus seios
sofrem o frenesim dos teus meneios
em lúbricos impulsos desconexos,

e num número perfeito de desejos,
nos gemidos trocados em arpejos,
bebemos o calor dos nossos sexos.

Publicado por Fernando @ 17:13 | Um Mundo de Cidadãos (22) | Referências (3)

Todos contra um

Há poucas horas, num concurso televisivo, um indivíduo desconhecia que o autor de Pietá e de David se chama Miguel Ângelo, e escolheu outra opção qualquer.
Logo depois, outro concorrente interrogado sobre que países assinaram o Tratado de Tordesilhas, respondeu Portugal e França.
Compreende-se. São perguntas difíceis...

Proponho, portanto, uma pergunta bem mais simples para quem de direito acrescentar à galeria de questões deste concurso de coltura jeral, que passa na televisão que todos pagamos e que poucos vêem.
Pode ser incluída na categoria "Tou farto desta porra".

Este país em que vivemos chama-se:
1. Burkina Faso
2. Burkina Faso
3. Burkina Faso

Ah... E não vale comprar a resposta.

Publicado por Fernando @ 01:36 | Um Mundo de Cidadãos (9) | Referências (0)

[segunda-feira, 25 de abril de 2005]

Outro Abril


Florença, 22 de Agosto de 2004

Publicado por Fernando @ 21:30 | Um Mundo de Cidadãos (6) | Referências (0)

Madrugada

Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida do medo
Da raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio.

Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
De braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo

Canta-se a gente que a si mesma se descobre
Acordem luzes arraias
Canta-se a terra que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais

Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia

Acordem luzes nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes, arraiais
Cantem despertos na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais

Cantem marés por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
O canto assim nunca é demais

José Luís Tinoco, o Tom Jobim português, como muito bem lhe chama Ivan Lins


(para quem não sabe, foi vencedora do festival da canção de 1975, e é uma das mais bonitas canções que conheço)

Publicado por Fernando @ 07:05 | Um Mundo de Cidadãos (8) | Referências (0)

[sexta-feira, 22 de abril de 2005]

Quod erat demonstrandum

Não ter nada para escrever não impede que se faça um post...

Publicado por Fernando @ 02:23 | Um Mundo de Cidadãos (12) | Referências (0)

[terça-feira, 19 de abril de 2005]

Aforismo do dia

Com papas e bolos se enganam os tolos.

Publicado por Fernando @ 20:35 | Um Mundo de Cidadãos (8) | Referências (0)

Enésimo lançamento

Pois o lançamento do livro do Luís Ene, no sábado passado, correu muito bem. Apesar das condições climatéricas adversas, atempadamente detectadas pelo distinto dispositivo meteorológico do Carlos – Ideias Soltas vem daí, não é? –, atingiu-se uma distância considerável, tendo em conta as dimensões e o peso do objecto: da Ler Devagar ao Pavilhão Chinês ainda são uns bons metros.

A reportagem de fundo prometida ainda não chegou (chegará?), mas é possível consultar outra completa em diferido, bem como a fotográfica em exclusivo mundial, que foram domesticamente elaboradas pela Vi, a quem agradeço a excelente conversa sobre as coisas de que gostamos e o cravo que tive o descaramento de lhe roubar pedir emprestado e que tão bem engalana (de galo, claro) este blogue neste mês com erre.

Publicado por Fernando @ 17:26 | Um Mundo de Cidadãos (2) | Referências (0)

Só a música

Música, meu amor... Naquele dia
em que senti teu coração gelar,
só a música soube aconchegar
um peito que em pedaços se partia...

Um banho refrescante de harmonia
lavou-me a alma, encheu de luz o ar,
e os sons em que enfim pude repousar
aqueceram-me a cama mais vazia.

Trompetes, trompas, flautas e oboés
derramaram-se em mim, como as marés
inundando de vida um areal...

E agora que me cravas tuas farpas
o meu corpo devolve-tas como harpas,
que a música dissipa todo o mal.


Imagem do Ognid (Catedral), a quem agradeço a parceria.

Publicado por Fernando @ 16:43 | Um Mundo de Cidadãos (5) | Referências (0)

A poesia é indissecável porque já nasce com as tripas de fora

Pensamento nocturno dedicado ao Juraan Vink

Publicado por Fernando @ 02:45 | Um Mundo de Cidadãos (1) | Referências (0)

É verdade...

Após um apurado trabalho de revisão estou em condições de garantir que este blogue está totalmente isento de grelhas grolhas.

Publicado por Fernando @ 01:33 | Um Mundo de Cidadãos (2) | Referências (0)

[sábado, 16 de abril de 2005]

Nós e a voz

Quando se diz que a voz é uma ferramenta de trabalho para muita gente, pensamos logo nos cantores. Mas actores, locutores, professores, políticos, padres, telefonistas e muitos outros, têm também profissões em que a usam para trabalhar. É claro que, à parte esses profissionais da voz, quase todos a usamos para comunicar sem que disso tenhamos consciência imediata.

Por hoje ser o Dia Mundial da Voz não posso deixar de chamar a atenção para alguém que tem dedicado a sua vida a dar voz à voz e que, com muito esforço e dedicação, criou uma clínica única na Península Ibérica para esse fim.
Possuidora duma voz belíssima e duma apurada técnica vocal, ainda por cima faz-me o favor de ser minha amiga: Isabel Maya.

E, sabendo-se que a voz de cada um é algo de pessoal e intransmissível, chamo a atenção para um senhor que faz da sua voz centenas de outras. Além de ser caso único no mundo (as suas cordas vocais já foram objecto de estudo por especialistas na matéria), também me faz o favor de ser meu amigo: Fernando Pereira.


(Primeiro o Luís Ene, agora a Isabel e o Fernando... Isto hoje é só publicidade de borla. Mas os amigos são para isso também...)

Publicado por Fernando @ 04:05 | Um Mundo de Cidadãos (8) | Referências (0)

Histórias para ler (devagar ou não)

Mais logo, às 21:30h, na Ler Devagar, terá lugar o lançamento do livro de Luís Ene, Mil e Uma Pequenas Histórias, apresentado por Pedro Mexia e com a participação de Ricardo Araújo Pereira.

Já que estamos todos convidados, eu faço questão de por lá passar.
Como sei que encontrarei camaradas já conhecidos destas andanças bloguísticas, o evento será ainda mais agradável.

Então, até logo.

Publicado por Fernando @ 03:31 | Um Mundo de Cidadãos (4) | Referências (0)

Afundanços com bolinha no canto superior direito

Correndo o risco de destruir por completo a minha reputação de homem decente e de chefe de família apologista dos valores tradicionais, venho por este meio chamar a atenção para um despique erótico-satírico (para não lhe chamar outra coisa) entre três personagens da blogosfera lusa: o OrCa, a São Rosas e moi.

Esta sem-vergonhice começou n'a funda São e foi depois transferida para uma página criada pela São Rosas.
O despique propriamente dito, compilei-o aqui.
Decididamente, a não visitar por pessoas sensíveis e impressionáveis.

(E algo me diz ainda não acabou...)

Publicado por Fernando @ 03:17 | Um Mundo de Cidadãos (6) | Referências (0)

[quinta-feira, 14 de abril de 2005]

Cenas da vida real (10)

Um indivíduo acaba de sair do restaurante a falar ao telemóvel:
– Yes, the phone played but I did was inside the restaurant... and no rede...
– ...
– No rede... No rede inside the restaurant.
– ...
– No, no, no!... Not rede of encarnado. Just no rede. No rede. Understand?

(Eu percebi, mas não ouvi o resto da conversa. Dizem que é feio...)

Publicado por Fernando @ 03:41 | Um Mundo de Cidadãos (5) | Referências (0)

Livros acorrentados

A Pandora desafiou-me e eu não sei resistir a desafios. Vamos lá então despachar esta corrente literária.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
O livro branco porque é o mais fácil de memorizar.

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Não, mas já ficcionei ficar apanhadinho por personagens reais. Vale?

Qual foi o último livro que compraste?
Foram vários ao mesmo tempo:
Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar.
O futuro da saudade (o novo fado e os novos fadistas) de Manuel Halpern
História do Fado de Pinto de Carvalho
Antologia Poética de Federico García Lorca

Qual o último livro que leste?
Não é propriamente literatura, mas é um livro. Gente famosa também dá pontapés na gramática de Lauro Portugal. Foi-me oferecido já nem me lembro por quem.

Que livros estás a ler?
A linguagem musical de André Boucourechliev
The study of orchestration de Samuel Adler
Sonetos de Bocage
(Não faço a mínima ideia do que lerei depois. Talvez os últimos que comprei.)

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Se é para escolher os livros que mais me marcaram pela positiva e pelos mais diversos motivos:
Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Marquez
Os Lusíadas de Luís de Camões
As três sereias de Irving Wallace
Um estranho numa terra estranha de Robert Heinlein
O triunfo dos porcos de George Orwell
Os autos de Gil Vicente
O livro de Cesário Verde
...e mais cerca de quinhentos e trinta e dois.
(Para dizer a verdade, preferiria levar um portátil com ligação à Internet por satélite. Livros, só levaria mesmo alguns que tentei ler e nunca consegui acabar de tão intragáveis. É que na ilha poderia não haver madeira e é sabido que os livros fazem um lume lindo...)

A quem vais passar este testemunho (3 pessoas) e porquê?
Ao Abade João para que faça uma pausa na pintura da casa.
Ao Alex, porque é um gandamaluko.
À Meg, porque descobri há minutos que, após ter fechado o Sub Rosa, resolveu reabri-lo noutro endereço (ando mesmo distraído, minha querida!)

E os vencedores são:
Todos e ninguém (confesso que não percebo este ponto).

Publicado por Fernando @ 03:36 | Um Mundo de Cidadãos (5) | Referências (0)

[quarta-feira, 06 de abril de 2005]

Há tanto tempo...

... que há tantos links para acrescentar e actualizar ali do lado direito... E tanta preguiça...

No fim-de-semana... Talvez...

Publicado por Fernando @ 01:14 | Um Mundo de Cidadãos (13) | Referências (0)

[terça-feira, 05 de abril de 2005]

Soneto da Boceta de Pandora

Lá se passou mais um animado jantar blogueiro, desta vez organizado pela Pandora, no Restaurante Floresta de Moscavide.
Foi um prazer rever as caras conhecidas e descobrir as agora ex-desconhecidas.
Infelizmente, como já vem sendo hábito nestas ocasiões, foi impossível dialogar com todos. Outras oportunidades virão, certamente.

Todos os encontros do género tiveram sempre da minha parte direito a tentativa de poema, e este não poderia ser excepção.
Por isso... Cá vai um soneto alexandrino...


Entre o betão dos edifícios, a Floresta.
(Mal se avistava à sua volta fauna ou flora...)
Surgiram lá quarenta e tal que em boa hora
Demonstrariam ser capazes de alta gesta.

Foi nessa mata – toda de pedra por fora
mas de interior ornamentado em tons de festa –
que se aprontaram prà tarefa tão funesta
de uma vez mais abrir a Caixa de Pandora...

Depois de aberta, lá de dentro o que saiu?
Nenhuma mágoa, nenhum mal ou aflição...
(Logo se vê que há histórias que são mesmo treta!)

Daquele encontro só afecto é que emergiu,
o que nos leva a uma fácil conclusão:
– Não há melhor do que uma farra co’a boceta.

4 de Abril de 2005


(E se os internautas brasileiros já não paravam de aqui chegar, agora serão ainda mais... Viva a língua portuguesa... que é tão traiçoeira!)

Publicado por Fernando @ 23:58 | Um Mundo de Cidadãos (8) | Referências (0)

[sábado, 02 de abril de 2005]

O jantar da Boceta

Estou quase a sair de casa para a jantarada de aniversário do Pandora's Box.
Serão mais de quarenta participantes e todos solidários com a mais famosa boceta da História.

(Suponho que, depois deste post, este blogue terá imensas visitas de internautas brasileiros... buscando informações sobre factos históricos, claro!)

Publicado por Fernando @ 19:09 | Um Mundo de Cidadãos (10) | Referências (0)