Tenho andado meio afastado das bloguices. O trabalho tem sido brutal e só consegui ir ao jantar/convívio porque pedi dispensa do dia (neste caso da noite, já que trabalhei à tarde) com muita antecedência.
Apesar de todas as dificuldades e falta de tempo para isto, não podia deixar de publicar aqui os versos do costume que faço após cada convívio blogosférico (tradição quebrada apenas uma vez, por manifesta falta de paciência).
Agradeço a todos os óptimos momentos passados (mais com uns, menos com outros, como seria de esperar num encontro com tanta gente). É sempre um prazer rever caras conhecidas e conhecer caras novas.
Não posso, no entanto, deixar de enviar uma saudação muito especial ao Zecatelhado, pela primorosa organização do repasto no Restaurante Brisa do Tejo, sito na Rua Ilha dos Amores, em Lisboa (olha Zeca, publicidade de borla para a tua patroa).
Meu irmão, um abração para ti... e sai um soneto para a mesa do canto!
Chegaram transluzindo sedução,
acreditando que é sempre possível
converter em palpável o invisível,
e entranhar numa pedra, um coração.
Levaram no sorriso uma canção,
e crentes de que nada é impossível,
cultivaram o espírito invencível
de quem só sabe dar-se com paixão.
Na Ilha dos Amores - mareante
das vidas que souberam enlaçar-se,
ganhando mais alento para o caminho -,
foi a Brisa do Tejo, inebriante,
que agasalhou as almas sem disfarce
que foram, umas das outras, pão e vinho.
20 de Setembro de 2004
Oiço a voz subir os últimos degraus
Oiço a palavra alada impessoal
Que reconheço por não ser já minha
Sophia de Mello Breyner Andresen
in Ilhas, 1989

É já no próximo sábado que se realizará mais uma jantarada bloguista, desta vez em Lisboa, e organizada pelo inefável Zecatelhado.
Até à data há 43 (isso mesmo, quarenta e três!) inscritos.
Mais pormenores aqui.
Despachem-se, que falta pouco!
Há uns dias, comentando um post da cath, referi o mais hilariante artigo científico sobre a Lua que li até hoje, publicado na Revista do Expresso em Agosto de 1999.
Uma vez que na edição online do Expresso não consigo aceder aos suplementos antigos, procurei a edição em papel - religiosamente guardada desde então - e, tal como tinha prometido à cath, transcrevi na íntegra o imperdível artigo que pode ser lido aqui.
De salientar que o articulista em causa - que escrevia sempre sobre temas de ciência e que era suposto ter formação nessa área - só escreveu mais um artigo científico na semana seguinte, sendo depois posto a andar.
Não só no regresso de férias o tempo estica, como também o trabalho. O problema é que o tempo já está a regressar ao normal e o trabalho não. Espera-me para aí um mês ou mais de labuta diária - dia e noite - sete dias por semana.
Pouco tempo para bloguices, pouco tempo para descanso, pouco tempo para descontrair. E, infelizmente, o tempo não será elástico.
O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.
Esta parlenda popular demonstra que não há volta a dar ao assunto.
Que porra!...
Regressei ao trabalho e, quando me parecia já terem passado quatro ou cinco horas, eis que descubro que ainda só lá estava havia duas.
Não sei se haverá explicação científica para este retardamento temporal quando se volta de férias, mas espero que amanhã o tempo já tenha retomado o seu andamento normal.
Resposta à pergunta colocada neste post.
Quando o carro se desloca a grandes velocidades, a turbulência do ar na sua frente cria uma zona de baixa pressão. Se um mosquito entrar nessa zona, como a sua pressão interna é superior (igual à atmosférica), ele rebenta.
O que é que isto tem a ver com aviões? As asas são desenhadas para criar turbulência (logo, baixas pressões) na sua parte superior, fazendo com que o ar da parte inferior se desloque contra a asa, ajudando a sustentá-lo.
Uma experiência simples para comprovar tudo isto é abrir um torneira e segurar uma colher de chá ou café pela ponta do cabo, encostando a parte convexa da concha à água que corre. A colher ficará "colada" à água, em vez de ser empurrada pelo líquido em queda. Isto porque a turbulência da água reduz a pressão e o ar que se desloca para essa zona, fá-lo contra a parte côncava da concha, empurrando a colher contra a água.
P.S. Aprendi tudo isto há muitos anos (mais de vinte) numa aula de física e nunca mais me esqueci. Aliás, lembro-me sempre que viajo e levo com mosquitos no pára-brisas.
O mais engraçado é que, devido a este post, fui procurar em alguns livros alguma informação sobre o assunto. E não é que encontrei um livro (O Grande Circo da Física, de Jearl Walker) que fala nos mosquitos, e que afirma que eles simplesmente se desfazem devido à forte aceleração do ar sobre a frente do carro?
E agora? Em que acreditar? Será que me destruíram um mito de adolescência? Buáááá...
Que musicais palavras - melopeias -
me ofertaste em conversas capitosas:
mil actos de paixão, cálidas rosas
turgindo de prazer as minhas veias.
Quantas das nossas noites foram cheias
de canções, de poemas e de prosas,
de fábulas, de histórias assombrosas,
de luzes, de ribaltas, de plateias!...
Tu, que te deste todo à tua arte
no amplo palco da vida que cingiste...
Tu, cidadão do mundo, leal amigo,
serás, até ao fim, o meu estandarte,
pois no trágico dia em que partiste
a melhor parte de mim partiu contigo.
26 de Maio de 2004

Fernando Augusto nasceu em 1947 e aos catorze anos começou a sua actividade teatral. Formou-se depois pela Escola Superior de Teatro.
Dramaturgo, encenador, escritor, poeta, professor, político, marcou a minha vida como ninguém. Não só pelas suas facetas artistística e humanista, mas também, e sobretudo, por me ter feito o favor de ter sido meu Amigo durante duas décadas.
Partiu a 1 de Setembro de 2003.
Há um ano morreu um Homem bom.
E como me dói a sua falta...