Cidadão do Mundo


[sexta-feira, 30 de abril de 2004]

Contagem decrescente para uma almoçarada

Aqui o Cidadão já começou a preparação física e psicológica para o repasto de amanhã. Não come há algumas horas e manter-se-á em jejum total até ao início das hostilidades, antecipando uma degustação lenta pela hercúlea tentativa de tentar chegar à fala com toda a multidão participante.

Até para um veterano destas andanças de almoços e jantares bloguistas, a tarefa que se avizinha impõe algum respeito.

Até amanhã.

Publicado por Fernando @ 20:13 | Um Mundo de Cidadãos (4)

[terça-feira, 27 de abril de 2004]

Aleluia

A Guernica fez-me ver a luz.

P.S. Mas, pelos vistos, mais ninguém a viu.

Publicado por Fernando @ 08:19 | Um Mundo de Cidadãos (7)

Este país é um cinzeiro

Porque que não protestam os anti-tabagistas
Contra tanta beata? Mas por que razão
Ninguém das organizações ecologistas
Ergue a voz contra toda esta poluição?


Adoro uma boa quadra alexandrina...
(não é o caso, claro.)

Publicado por Fernando @ 07:52 | Um Mundo de Cidadãos (2)

[segunda-feira, 26 de abril de 2004]

Guernica

Faz hoje 67 anos que, a pedido do General Franco, os alemães bombardearam Guernica, assassinando milhares de civis. Este acontecimento inspirou um dos mais famosos quadros de Picasso.



Obrigado ao Nuno pela lembrança.

Publicado por Fernando @ 09:57 | Um Mundo de Cidadãos (4)

Não sei, mas acho que...

Há uns anos, um amigo meu ao ver uma ilustração de um dos primeiros quadros de Picasso - anterior ao cubismo, creio até que anterior aos períodos rosa e azul -, comentou: «Olha! Afinal o gajo até sabia pintar...»
Já não me lembro do que lhe respondi, mas a melhor resposta já havia sido dada por Picasso il-même, alguns anos antes:

«O facto de por um longo período o cubismo não ter sido entendido e de ainda hoje haver pessoas que nada vêem nele não quer dizer nada. Eu não sei ler inglês e para mim um livro em inglês é composto de páginas em branco. Isso não significa no entanto que a língua inglesa não exista. E por que razão deveria eu dar a culpa a outro que não a mim próprio por não entender alguma coisa sobre a qual nada sei?»

É óbvio que Picasso desconhecia o passatempo tipicamente português de se mandar uns bitaites mesmo (e principalmente) sobre o que se desconhece.

Publicado por Fernando @ 08:50 | Um Mundo de Cidadãos (3)

Falo de Abril




Sempre achei o monumento lisboeta à Revolução dos Cravos erigido no Parque Eduardo VII e da autoria de João Cutileiro, a mais fiel imagem do acontecimento: o 25 de Abril está murcho e só com talas se mantém de pé.

Publicado por Fernando @ 02:33 | Um Mundo de Cidadãos (4)

Abril é quando um homem quiser

Ontem não me apeteceu escrever sobre o 25 de Abril. O blogue é meu e escrevo sobre o que eu quiser e quando eu quiser. E isto, meus amigos, também é Liberdade.


Aos cravos

Da madrugada distante
Recordo a agitação das vozes
A excitação dos gestos
E a incerteza dos rumores
Que falavam de cravos

E até dos cravos só já resta
A memória do vermelho


Escrito em Abril de 1984.

Publicado por Fernando @ 02:30 | Um Mundo de Cidadãos (2)

[sábado, 24 de abril de 2004]

Culinária

Há blogues que se saboreiam lentamente e blogues que são engolidos dum trago.
Há blogues frios e blogues quentes, aconchegantes.
Há blogues doces, blogues amargos e blogues ácidos.
Há blogues claros como água e blogues insípdos, incolores e inodoros como água (pelo menos a água teórica, que a real parece ser exactamente o oposto).
Há blogues insonsos e blogues bem temperados e há blogues apimentados e picantes.
Há blogues intragáveis apesar da boa apresentação, e blogues de péssimo aspecto, mas de sabor inigualável.
Há bons e maus blogues e bloguistas, como há bons e maus cozinhados e cozinheiros.

Vem esta conversa de culinária a propósito de este blogue se encontrar em lume brando. E o lume brando é o grande segredo da cozinha portuguesa.

Bom apetite!

Publicado por Fernando @ 02:46 | Um Mundo de Cidadãos (9)

[terça-feira, 13 de abril de 2004]

A televisão da triste figura

A boa notícia é que está a ser transmitida pela TVI uma bela adaptação para televisão de Dom Quixote de la Mancha, com um óptimo elenco: John Litgow, Bob Hoskins, Isabella Rosselini...
A má notícia é que está a ser transmitida neste momento, às cinco da manhã (??!!!).

Já agora, desde quando é que o famosíssimo Cavaleiro da Triste Figura passou a Cavaleiro de Semblante Lastimoso?
Estas traduções...

Publicado por Fernando @ 05:06 | Um Mundo de Cidadãos (15)

[domingo, 11 de abril de 2004]

Cálculos Pascais

No ano de 1582 foi estabelecido por Bula Papal o Calendário Gregoriano, pelo qual ainda hoje nos regulamos. Nele se estipula, entre outros, o método de determinar o dia da Páscoa:
A Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio vernal.

Todos os feriados eclesiásticos são calculados em função da Páscoa. A sexta-feira da Paixão é a que antecede o domingo de Páscoa. A terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa e a quinta-feira do Corpo de Cristo 60 dias após a Páscoa. O domingo de Ramos é o que antecede o domingo de Páscoa, a Quaresma são os 40 dias entre o Carnaval e o domingo de Ramos, a quinta-feira da Ascensão ocorre 39 dias após a Páscoa e o domingo de Pentecostes vem 10 dias depois da Ascensão.

Existem várias fórmulas obedecendo aos ditames da Igreja, mas que já não estão rigorosamente afinadas com a astronomia quanto às fases da Lua. A Igreja assumiu que o equinócio de Primavera no hemisfério norte ocorre sempre a 21 de Março, quando na verdade pode acontecer um ou dois dias antes.

O astrónomo e matemático francês Jean Baptiste Delambre (1749-1822) desenvolveu duas fórmulas para calcular o dia da Páscoa (uma para o calendário Juliano e outra para o Gregoriano).


Antes de 1583 (Calendário Juliano)A partir de 1583 (Calendário Gregoriano)
A = resto de (Ano ÷ 4)
B = resto de (Ano ÷ 7)
C = resto de (Ano ÷ 19)
D = resto de [(19 x C + 15) ÷ 30]
E = resto de [(2 x A + 4 x B - D + 34) ÷ 7]
F = inteiro de [(D + E + 114) ÷ 31]
G = resto de [(D + E + 114) ÷ 31]

A Páscoa será no dia G + 1 do mês F

A = resto de (Ano ÷ 19)
B = inteiro de (Ano ÷ 100)
C = resto de (Ano ÷ 100)
D = inteiro de (B ÷ 4)
E = resto de (B ÷ 4)
F = inteiro de [(B + 8) ÷ 25]
G = inteiro de [(B - F + 1) ÷ 3]
H = resto de [(19 x A + B - D - G + 15) ÷ 30]
I = inteiro de (C ÷ 4)
K = resto de (C ÷ 4)
L = resto de [(32 + 2 x E + 2 x I - H - K) ÷ 7]
M = inteiro de [(A + 11 x H + 22 x L) ÷ 451]
P = inteiro de [(H + L – 7 x M + 114) ÷ 31]
Q = resto de [(H + L – 7 x M + 114) ÷ 31]

A Páscoa será no dia Q + 1 do mês P

Houve outros astrónomos e matemáticos que se dedicaram a desenvolver algoritmos para calcular o dia da Páscoa. O mais simples de todos foi criado por Gauss (1777-1855).

A = resto de (Ano ÷ 19)
B = resto de (Ano ÷ 4)
C = resto de (Ano ÷ 7)
D = resto de [(19 x A + X) ÷ 30]
E = resto de [(2 x B + 4 x C + 6 x D + Y) ÷ 7]
Se (D + E) > 9 então Dia = (D + E - 9) e Mês = Abril, senão Dia = (D + E + 22) e Mês = Março.

Os valores X e Y variam conforme o ano a calcular e definem-se pela seguinte tabela:

AnosXY
15821599222
16001699222
17001799233
18001899244
19001999245
20002099245
21002199246
22002299257

Há dois casos particulares que ocorrem duas vezes por século:

  • Se o domingo de Páscoa calhar a 26 de Abril, corrige-se para uma semana antes, ou seja, para dia 19.

  • Se o domingo de Páscoa calhar a 25 de Abril, e D = 18 simultaneamente com A > 10, então o dia é corrigido para 18.

  • Neste século, estes dois casos particulares só acontecerão em 2049 e 2076.

    Quem quiser saber o dia de Páscoa de qualquer ano da nossa Era sem se dar ao trabalho de efectuar estes cálculos, pode consultar este algoritmo desenvolvido a partir do método de Delambre, e que acrescenta ainda o dia de Carnaval e o do Corpo de Cristo.

    E pronto. Espero que passem um excelente dia 11 (ou, recorrendo ao algoritmo gaussiano, Resto de (19 x Resto de (2004 ÷ 19) + 24) ÷ 30 + Resto de (2 x Resto de (2004 ÷ 4) + 4 x Resto de (2004 ÷ 7) + 6 x (Resto de ((19 x Resto de (2004 ÷ 19) + 24) ÷ 30)) + 5) ÷ 7) – 9) de Abril e, já agora, conheçam também o matemático mais relacionado com a Páscoa. E não é por ter inventado algo que ajudou muita gente a efectuar os cálculos acima.

    Publicado por Fernando @ 02:50 | Um Mundo de Cidadãos (7)

    [quinta-feira, 08 de abril de 2004]

    31 anos


    Pablo Picasso
    (25 Outubro 1881 - 8 Abril 1973)
    Fotografado por Arnold Newman em 1954
    Publicado por Fernando @ 02:49 | Um Mundo de Cidadãos (5)

    [quarta-feira, 07 de abril de 2004]

    As quatro cartas

    Cumpriram-se ontem dois anos de desgovernação.
    De cada vez que se festejam estes aniversários, lembro-me duma piada que me contaram há já uns anitos, mas que se adequa a qualquer executivo desgovernamental.

    Eis, portanto, uma anedota dedicada à anedota que é este desgoverno.



    Na passagem de testemunho entre governos, o PM cessante informa o novo que, sempre que as coisas lhe correrem mal, deverá consultar quatro cartas que deixou guardadas num cofre para o ajudar. As cartas estão numeradas e, caso necessite delas, deverá abri-las por ordem.

    Durante o primeiro ano de desgovernação, e após muita contestação, o PM resolve abrir a primeira carta:
    – Culpe o executivo anterior: «Deixaram o país ingovernável, à beira da bancarrota, estamos ainda a pôr ordem na casa...»

    As coisas acalmam, mas, no decurso do segundo ano, a contestação sobe novamente de tom, e o PM resolve abrir a segunda carta:
    – Culpe a conjuntura internacional: «A crise é geral. O mundo encontra-se em recessão. A retoma está a chegar e tudo melhorará...»

    A contestação diminui, mas no terceiro ano volta em força. O PM resolve abrir a terceira carta:
    – Culpe as forças de bloqueio: «O Presidente da República que, com os vetos, atrasa a aprovação de leis fundamentais, a Comunicação Social que não pára de descobrir escândalos, os lobbies...»

    Novamente acalmia. Só que, no quarto ano, a contestação volta mais forte do que nunca e o PM resolve abrir a quarta e última carta:
    – Se precisou de abrir esta, comece a escrever as quatro para o próximo PM.

    Publicado por Fernando @ 19:07 | Um Mundo de Cidadãos (2)

    [terça-feira, 06 de abril de 2004]

    Ensaio sobre a lucidez


    Imperdíveis as palavras lúcidas de um escritor maldito, que até sabe empregar o discurso directo: Luíz Pacheco. Na primeira pessoa. Ele.

    Publicado por Fernando @ 15:47 | Um Mundo de Cidadãos (6)

    Assim sim


    Edição de hoje

    Ora aqui está uma notícia que me enche de alegria e orgulho de ser português. A demonstração inequívoca de que todos os cidadãos que vivem neste país são tratados de igual modo, independentemente da sua nacionalidade, da sua profissão, da sua condição social...

    O futebolista brasileiro Rochemback que foi emprestado ao Sporting pelo Barcelona, será finalmente operado, ao que tudo indica, depois de amanhã, após cinco anos em lista de espera como qualquer vulgar cidadão deste país.
    Felizmente não lhe aconteceu o que já vai sendo hábito, provavelmente devido à sua condição de atleta com hábitos de vida saudáveis.

    Os meus sinceros votos de melhoras para o rapaz e um grande bem haja.

    Publicado por Fernando @ 14:54 | Um Mundo de Cidadãos (7)

    Uma discriminação vergonhosa ou o mistério do ceprede

    Escolha a sua opção:


    Publicado por Fernando @ 13:20 | Um Mundo de Cidadãos (4)

    Uma das canções da minha vida

     Cai neve


    Se eu não tivesse que pagar a salvação
    Se as novas igrejas não fossem velhos cinemas
    Se a vida não tivesse tantos dilemas
    Se houvesse um volta-face
    E o mundo melhorasse
    E nós vivêssemos em paz

    Se eu soubesse ser um pouco mais feliz
    Se o meu país fosse igual ao teu país
    Se eu pudesse ter sorte e algum tino
    Se a poluição dos mares
    E a contaminação dos ares
    Não fossem hoje tão reais
    Talvez eu não dissesse mais:

    «Cai neve em pleno verão
    E dentro da nossa alma
    Nós não queremos compaixão
    Só um pouco de atenção
    E a solução para os nossos traumas»

    Se o trabalho hoje não fosse tão escasso
    Se a lua coubesse inteira nos meus braços
    Se um dia eu conhecesse um outro eu
    Se o partido em que eu votasse
    Fosse sério e respeitasse
    Aquilo que nos prometeu
    Talvez eu não dissesse mais:

    «Cai neve em pleno verão
    E dentro da nossa alma
    Nós não queremos compaixão
    Só um pouco de atenção
    E a solução para os nossos traumas»

    Cai neve em pleno verão
    E sangra o nosso coração

    Fernando Girão
    Cantos da Alma, 1998



    Cantos da Alma, 1998


    Dono de uma voz extraordinária, de uma rara sensibilidade musical e de uma notável capacidade para escrever canções (e não só), o cidadão do mundo Fernando Girão é um artista de inegável qualidade e de obra praticamente desconhecida em Portugal, apesar da já extensa carreira que o levou a tantos cantos do mundo.
    De cada vez que o ouço não consigo deixar de pensar que um país que se está nas tintas para um talento como o dele, é uma merda de país. Tenho dito.

    Publicado por Fernando @ 04:38 | Um Mundo de Cidadãos (5)

    E ao segundo dia... Tcharaaaam

    Eis de volta o Cidadão.

    Tudo começou com uma inofensiva partida de 1 de Abril. O post desse dia esteve até para se chamar «Partida».
    Anunciar o fim do blogue nessa data tinha o inconveniente de se perceber logo que era brincadeira, mas, por outro lado, pareceria que podia ser a sério: Este gajo não faria uma coisa tão óbvia, se calhar vai acabar mesmo... Ou então quer que pensemos isso e talvez não acabe, ou antes pelo contrário, quiçá... Bom, eu sei que sabem que eu sei o que terão pensado que eu pensei (obrigado Zezinha Nogueira Pinto).
    Só que a minha querida Sónia presenteou-me com uma ideia bem melhor num comentário: rebentar mesmo com o blogue na data anunciada para depois o ressucitar (palavra adequadíssima ao período festivo que atravessamos).
    E assim foi. O Cidadão explodiu e ressuscitou dois dias depois (não foram três para não ser acusado de plágio).

    Saibam que me diverti à brava com as reacções ao anúncio do fim e mais ainda com alguns posts que foram escritos sobre o assunto em alguns blogues.

    E pronto. Agora que está tudo explicado, o Cidadão volta à sua labuta bloguística com vontade redobrada, mas, infelizmente, com o tempo reduzido devido a mais uma carga de trabalho extra que se avizinha, e que durará aproximadamente dois meses. Mas não há-de ser nada. Haja saúde.


    P.S. Para quem não visita este cantinho desde domingo e não percebeu nada deste post, informo que basta clicarem na imagem do post anterior para verem qual foi aspecto que este blogue teve nos dois últimos dias.

    Publicado por Fernando @ 04:15 | Um Mundo de Cidadãos (9)

    [domingo, 04 de abril de 2004]

    3 ... 2 ... 1 ... Bum

    Publicado por Fernando @ 04:10 | Um Mundo de Cidadãos (2)

    [sexta-feira, 02 de abril de 2004]

    Parêntesis

    Para a mentira ser segura
    e atingir profundidade,
    tem que trazer à mistura
    qualquer coisa de verdade.

    António Aleixo

    Publicado por Fernando @ 19:00 | Um Mundo de Cidadãos (6)

    [quinta-feira, 01 de abril de 2004]

    Acabou-se

    O fim é inevitável. O universo, o sistema solar, o planeta, os seres vivos, um dia findarão...
    Mas se há fins que não poderemos controlar, outros há que estão nas nossas mãos. E o fim deste blogue está nas minhas.

    Pois é, após profunda - se calhar, nem tanto - meditação, concluí que é tempo de pôr uma pedra sobre este Cidadão.
    Nada me motiva presentemente a escrever o que quer que seja. Ando sem pachorra para isto dos blogues, que me roubam um tempo precioso para outras coisas que me dão muito mais prazer.

    O blogue ficará activo até domingo - perfazendo assim exactamente sete meses de existência - dia em que será definitivamente apagado.

    Esta decisão é irreversível.

    Publicado por Fernando @ 04:00 | Um Mundo de Cidadãos (24)

    Vamos mas é ganhar juízo

  • O melhor resultado obtido pela selecção portuguesa de futebol foi um 3º lugar num mundial já longínquo.
  • O nosso saldo de jogos com as selecções crónicas candidatas a títulos europeus ou mundiais, é francamente negativo.
  • Baqueámos sempre nos momentos críticos em que não se pedia mais que calma e discernimento.
  • Posto isto, porque que há quem considere a selecção portuguesa candidata ao título europeu, é para mim um completo mistério.

    Publicado por Fernando @ 03:10 | Um Mundo de Cidadãos (3)