A memória pessoal - mas transmissível - das incertezas da vida, e a certeza de ter quarenta anos.
Então, como é que é? Assim é que não aprendem a ordenar letras alfabeticamente...
Não querem ganhar 250.000 euros?
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Sociedade Portuguesa de Autores, Lisboa, Portugal.
- Boa tarde. Sou professora de música e ando à procura da partitura duma obra de Domingos Bomtempo, para um teste que pretendo fazer aos meus alunos. Só preciso de uma ou duas páginas. Disseram-me que aqui têm esse material.
- Ora então vamos lá ver aqui no computador. Disse Domingos...
- Bomtempo... Tudo junto.
- Domingos (tec tec... tec... tec tec) Bom (tec tec tec) tem (tec tec tec... tec tec) po... Hum... Não encontro o registo desse senhor... Diz que ele é músico?
- É compositor. Quer dizer, era. Morreu há mais de 150 anos.
- Pois é... Não temos nada. Se calhar, o melhor é contactar a família.
Na discoteca da Valentim de Carvalho do Colombo há uma secção - diminuta, claro - dedicada à música clássica. Nessa secção há um separador consagrado exclusivamente ao canto gregoriano, onde se podem encontrar estas extraordinárias obras medievais.
Ficamos pois a saber que os monges na idade média não cantavam isto:
mas sim isto:
Para os que, ainda assim, consideram desprovido de qualquer interesse este novo e divino estilo, aconselho vivamente a leitura atenta deste manifesto.
Estamos sempre a aprender.
Quem conta um conto acrescenta um ponto, é um provérbio bem conhecido que revela o vício humano de modificar o que se ouve ou lê, e de o retransmitir com um - chamemos-lhe assim - cunho pessoal. Há uma série de frases e de situações, geralmente admitidas como verdadeiras, que aceitamos com a maior das naturalidades.
Entre essas contam-se, por exemplo, o «Elementar, meu caro Watson» nunca proferido por Sherlock Holmes em qualquer dos livros de Conan Doyle, e o «Play it again, Sam» de Casablanca, que também nunca foi dito no filme.
É claro que qualquer destas frases seria perfeitamente plausível, mas há uma que desde sempre achei um perfeito disparate: «É mais fácil um camelo passar pelo buraco duma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus».
Porque é que Cristo diria tal coisa? Que raio de imagem... Um camelo, porquê?
Só anos depois de a ter ouvido pela primeira vez, li uma explicação verosímil para o assunto: em aramaico, kamelos significaria camelo, enquanto kamilos quereria dizer corda. Na tradução para o latim teria ocorrido uma leitura errada do original, convertendo a corda no metafórico animal.
Mas, apesar desta explicação fazer sentido, algo há em que ela não me esclareceu. Se a frase em si é um perfeito absurdo, mais absurdo ainda, é o facto de muita gente a ter admitido, nos últimos dois mil anos, como perfeitamente natural.
Se calhar, há coisas que não têm mesmo explicação.
Soube pelo Carlos Vaz Marques que a Anabela Ribeiro (a exclusão do Mota é propositada porque ela odeia que lho tirem) desmentiu na segunda-feira aos microfones da Antena 2, ser autora do blogue que lhe é, alegadamente, atribuído. Disse ainda que nem sequer liga peva à blogosfera.
A senhora em questão devia saber que, para desmentir um assunto de interesse nacional, não basta fazê-lo através duma estação de rádio que ninguém ouve.
Quanto a mim, fico-me com a teoria de que o blogue até pode ser da própria, mas construído de forma a que se possa facilmente argumentar que não é. Assim a popular senhora pode sempre alegar tratar-se de uma cabala contra a sua pessoa, e continuar a alimentar publicamente os seus mais recônditos devaneios culturais e afins.
Eu hoje vou ver um filme: a teoria da conspiração.
O conceito do homem branco de propriedade da terra, era o de mais difícil compreensão para os índios norte-americanos.
Para eles, o homem é que pertencia à terra. Não o contrário.
| Não vi o jogo Guimarães-Benfica (nem sequer liguei o televisor ontem) e só hoje soube da triste notícia da morte de Miklós Fehér. Todos os dias assistimos a mortes, mas esta toca-nos de maneira diferente. Porque - ao contrário das mortes em cenários de guerra, na estrada ou outras - esta, num campo de futebol, é totalmente inesperada e faz-nos meditar sobre a fragilidade humana. Porque raio é que um desportista, saudável, com acesso diário privilegiado a cuidados de saúde por uma equipa médica que não olha a despesas, morre assim sem mais nem menos, aos 24 anos? Estava escrito, teve azar, foi a vontade de Deus, é assim, há coisas sem explicação, calha-nos a todos, a vida é mesmo estúpida... Adeus... | ![]() Miklós Fehér (1979-2004) Foto por João Abreu Miranda LUSA |
Para quem ainda não se decidiu e hesita perante tanta oferta, finalmente um guia dos astrólogos de Portugal.
A não perder.

Passei a noite a ler a Odisseia de Homero na versao original em grego. Apesar de ser uma lingua que desconheco de todo, foi uma experiencia emocionante. Os tracos retorcidos do alfabeto helenico sao testemunho de milenios de historia da civilizacao de que somos filhos. Da que pensar.
Hoje é dia de greve na função pública. Ao longo do dia ouvimos de cada um dos lados os números de adesão à dita, tão díspares como sempre.
Para aqueles intrigados com a possibilidade de, para um mesmo facto, existirem valores tão diferentes, deixo aqui um pequeno exemplo:
| Funcionários | Grevistas | Adesão | |
| Rep. Finanças | 10 | 10 | 100% |
| Escola | 20 | 10 | 50% |
| Hospital | 100 | 10 | 10% |
Qualquer destas análises é correcta mas, será que alguma delas reflecte o impacto da greve? A resposta é negativa.
Há outros factores que deveriam pesar na análise. Por exemplo:
Estes são apenas alguns dos factores que podem alterar a análise pura e simples dos números, mas que nunca são referidos. Tal como os economistas referidos no post anterior, os políticos também nos enganam com as percentagens.
Nunca me senti muito atraído por Economia e sempre tive uma enorme dificuldade em compreendê-la. Não consigo vislumbrar a lógica que se esconde - e de que maneira - por detrás de flutuações de divisas, de câmbios, de ofertas, de procuras, de acções, da bolsa... Soa-me tudo a falso e a artificial, o que me levanta sérias desconfianças.
Mas, pelos vistos, não é só comigo. Há tempos ouvi uma história sobre a tentativa da introdução do estudo da Economia em Oxford no final do século XIX. Após uma reunião do Conselho Científico, deliberou-se que não. O motivo era simples: segundo concluíram os responsáveis da Universidade, os economistas enganam-nos com as percentagens.
Mais de cem anos depois, devo confessar que não concordo totalmente com a conclusão. A impressão que tenho é bem melhor representada por uma economia de palavras. Pura e simplesmente, os economistas enganam-nos.
Eu ainda sou do tempo em que, em informática, tudo era testado até à exaustão antes de ser lançado no mercado. Agora - graças à Santa Internet - é bem diferente.

...a não ser que vão todos bardamerda.
A propósito de dois posts sobre a existência ou não de sistemas de comentários nos blogues, deixo aqui também as minhas razões sobre o assunto.
Este blogue é meu e tenho sistema de comentários porque quero. Não me importo nada de ser incomodado por quem tem a pachorra de me ler, mesmo que seja para concordar comigo.
Este blogue não existe apenas para meu gozo pessoal, mas também para quem o quiser ler. Doutro modo, escreveria num caderno qualquer - ou num processador de texto, já agora - sem estar sujeito aos humores da Internet, dos servidores e das ligações.
Quer comentem ou não os posts, podem sempre usar o meu contacto mais priv@do, que está ali na coluna da direita em cima e que deixo também em todos os comentários que faço. Podem usá-lo mesmo que seja para não me insultarem.
Tal como com os comentários, respondo se quiser, quando me apetecer e como bem entender.
As pessoas de quem gosto e que gostam de mim continuam a saber como contactar-me, independentemente de aqui haver ou não um sistema de comentários. Aliás, a maior parte dessas pessoas não lê este blogue, pelos mais variados motivos: desde ter mais que fazer, não saber o que é um blogue (coisa muito mais comum do que alguns bloguistas pensam, mesmo entre quem navega há muito no ciberespaço) ou simplesmente não ter Internet.
Informo também que jamais apaguei um comentário nem tenciono fazê-lo, por mais sensato, inteligente ou amistoso que o ache.
Para concluir - já o escrevi, mas repito - na minha opinião, um blogue sem sistema de comentários não é um blogue. Não passa de mais uma página como as milhares que por aí há. Isto sem qualquer desprimor para as ditas, claro. Simplesmente, apesar de igualmente válida, a sua função é diferente.
Entra diariamente em nossas casas sem pedir licença, conhecemos alguns dos mais íntimos segredos desta rapariga fina e segura, sabemos o que tem na mala, mas poucos saberão quem ela é.
Este humilde blogue - apostado em continuar a prestação de verdadeiro serviço público - desvenda, finalmente, um dos grandes mistérios do nosso tempo.
Para que, de uma vez por todas, a mais intrigante pergunta das últimas décadas faça sentido.
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apÓs quINZe sEgUNdOs aPENaS um aCeRToU
aINdA estOU eM eStaDo De cHOquE e Não seI quaNTO tEMpo lEVareI a reCupeRAr
Nunca dei muita importância ao enquadramento ideológico dos candidatos à Presidência da República. Considero-me um indivíduo de esquerda - embora não me reveja em nenhum dos actuais partidos - e não me chocaria se uma personalidade de direita, como Freitas do Amaral por exemplo, fosse Presidente de Portugal.
Isto porque me parece que ao Presidente, o que se pede é que seja um cidadão inteligente, culto e sensato.
É por isso que começo a ficar preocupado com o actual panorama de personalidades presidenciáveis. Senão vejamos:
Posto isto, venha o diabo e escolha.
Hoje é, definitivamente, o dia das surpresas por email.
Recebi mais um, que a seguir transcrevo:
Your story: «Bigger than the sky» has successfully been added to our love stories database! To view your story click here: http://library.lovingyou.com/stories/6/6328.shtml
Sincerely yours,
Lovingyou.com Love Library Editors
Acabo de receber, via email, uma curta missiva que muito me honra. O remetente é o senhor Peter Green Kabila, filho do ex-chefe de estado da República Democrática do Congo (ex-Zaire), Laurent Desire Kabila.
Pois o dito senhor pretende investir em hotéis e propriedades em Portugal e - ó inaudita e tamanha honra - pede a minha assistência e cooperação para o seu projecto comercial.
É a primeira vez que sou contactado por alguém tão bem posicionado na história política recente deste planeta, ainda por cima, pedindo a minha colaboração num projecto de tão grande importância.
Eis a prova provada de que este meu humilde blogue é assiduamente lido pelas elites congolesas. Sem dúvida, um passo decisivo na internacionalização da minha carreira de homem de negócios que, diga-se em abono da verdade, jamais sonhara encetar.
Aproveito este espaço tão sôfregamente acompanhado em terras africanas para, em primeira mão, tornar público o meu assentimento sem reservas a esta futura sociedade comercial. E um grande God bless para si também, meu caro Peter Kabila. Bem haja!
Respeitosos cumprimentos ao senhor seu pai.
Depois ligo, está bem?
Para os que acham que a homossexualidade é contranatura, saibam que cerca de 40% das imagens recolhidas pelos investigadores da vida animal por esse mundo fora, são de contactos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. Desde insectos a mamíferos, esses contactos contribuem, a maior parte das vezes, para o harmonioso funcionamento do grupo.
O que me parece contranatura, é a censura a que são sujeitas essas imagens. Têm medo de quê?
Então o gajo critica um ilustre governante do seu partido e depois está à espera de quê? Nunca ouviu falar em disciplina partidária?
Se calhar pensa que um partido é uma instituição de solidariedade social.
É muito bem feito... Criticou? Olho da rua! Viva a Democracia!
Auto-Retrato
Poeta é certo mas de cetineta
fulgurante de mais para alguns olhos
bom artesão na arte da proveta
narciso de lombardas e repolhos.
Cozido à portuguesa mais as carnes
suculentas da auto-importância
com toicinho e talento ambas partes
do meu caldo entornado na infância.
Nos olhos uma folha de hortelã
que é verde como a esperança que amanhã
amanheça de vez a desventura.
Poeta de combate disparate
palavrão de machão no escaparate
porém morrendo aos poucos de ternura.
Ary dos Santos in Fotosgrafias, 1970
Uma amiga minha trocou o telemóvel antigo por outro de alta tecnologia alemã.
Como essa amiga tem uma relação difícil com esta - a tecnologia, não a alemã - agora é que posso esperar sentado pelo tal café na Mexicana. No mínimo, ficará adiado por mais um mês, até que consiga compreender os rudimentos básicos para efectuar a chamada prometida ou, pelo menos, mandar um sms.
Só me resta esperar...
«A língua portuguesa é muito traiçoeira», ouve-se com frequência. Talvez seja verdade mas, mais ou menos traiçoeira, uma língua é também um elemento determinante na identidade dum povo.
Aquilino dizia - em tom provocatório - que a nossa língua é pobre porque tem palavras a mais. Deve ser por isso que a vamos simplificando cada vez mais.
Vem isto a propósito de recentemente ter dado comigo a pensar sobre o uso de tempos verbais e de me ter apercebido que três desses tempos estão em vias de extinção. A saber:
Resumindo: esquecemos um passado, usamos outro como condicional e substituímos o futuro pelo presente.
Sendo a língua um espelho dos seus falantes, querem melhor retrato do que este?
Uns têm o Templo de Diana, outros o Convento de Cristo, outros ainda a Torre dos Clérigos. Eu tenho a Ponte para Nenhures, o ex-libris da cidade onde vivo.
Seguramente, uma das construções mais portuguesas que conheço.


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standby="Loading Microsoft Windows Media Player components..." type="application/x-oleobject">
(*) do Gr. metá, mudança + morphé, forma
s. m.,
    modificação física e química na composição e estrutura de uma rocha;
    teoria de transformação por acção ígnea;
Zool.,
    propriedade que alguns animais possuem de sofrerem profundas transformações;
    faculdade de transformar-se;
    transformação.
in Dicionário da Língua Portuguesa Online
Deixaram-me hoje no correio uma mensagem que decidi, altruisticamente, partilhar com todos vós:
Importante cientista e investigador corânico com enorme experiência.
Conhecedor dos mais valiosos segredos e escrituras, resolve e tem solução para todo o tipo de problemas, inclusivamente amor, negócios, vício da droga, álcool, aproxima as pessoas amadas e afasta quem o atormenta, trata doenças através das ciências ocultas dos orixás e com o dom de experiências corânico. Ajuda todas as pessoas que tenham tentado resolver os seus problemas com outros astrólogos, sem solução.
Viva melhor com a ajuda dos orixás.
Sim, que isto dos blogues também serve para ajudar o próximo. Não é só para criticar tudo e todos.
Há uns anos em Nova Iorque, enquanto comprava uns postais, a minha mulher referiu que também era preciso comprar selos. A palavra soou familiar ao empregado da loja, que se virou para nós:
- Selos? São mexicanos?
- Não. Somos portugueses.
- ???
- Portugal.
- Não conheço.
- E Espanha?
- Também não.
- Bom, e França?
- Nunca ouvi falar.
- Hum... E Inglaterra?
- Não me soa estranho.
- Se calhar é por falares inglês...
- Eu?!...
Através do Google, chegou a este cantinho um cidadão à procura disto.
Para não defraudar os vindouros que aqui desaguem em busca do mesmo - e agora, até aumentam as probabilidades de virem cá parar - esclareço que o dito cujo pertence a um qualquer cetáceo, habitante dos mares deste mundo.
Em certas espécies de baleias, o pénis pode atingir cerca de 3 m de comprimento e 30 cm de diâmetro.
Para os mais curiosos pelos fenómenos e estatísticas sexuais, aqui fica uma inesgotável fonte de informação.

The Illustrated Book of Sexual Records
Sexual Superlatives from all around the World
Isto também é serviço público. Ou não?
«A fé é poderosa o suficiente para imunizar as pessoas contra todos os apelos de piedade, de perdão, de sentimentos decentes humanos. Ela até as imuniza contra o medo, se elas honestamente acreditarem que a morte de um mártir as levará directamente ao paraíso. Que arma! A fé religiosa merece um capítulo para si mesma nos anais da tecnologia de guerra em pé de igualdade com o arco-e-flecha, o cavalo de guerra, o tanque e a bomba de hidrogénio.»
Richard Dawkins in O Gene Egoista
Sou um Ateu!
Which Enemy of the Christian Church Are You?
Take More of Robert & Tim's Quizzes
Watch Robert & Tim's Cartoons
Na sequência dum comentário ao post anterior, e após profunda meditação:
O arrogante autor deste blogue penitencia-se publicamente por ironizar e criticar um dos mais conceituados professores de psiquiatria da Universidade de Coimbra. Promete também nunca mais comentar afirmações públicas de qualquer ilustre personalidade na sua área de especialidade, seja ela a política, o jornalismo, a ciência, a literatura, etc.
O néscio que escreve neste covil de ignorância pede ainda às almas versadas em pedofilia e/ou pedopsoquiatria, o encarecido favor de enviarem links, bibliografia, estudos, qualquer coisa sobre o assunto, com o objectivo de tentar compreender a - afinal verdadeira - afirmação proferida pelo excelentíssimo senhor doutor Pio Abreu.
O imbecil que escreve nesta nojice aconselha ainda todos os cidadãos que andarem com a auto-estima pelas ruas da amargura, a travarem, o mais rapidamente possível, conhecimento com pessoas famosas. Pode ser que tenham sorte. Não menosprezemos as opiniões abalizadas do insigne psiquiatra. Afinal - não esqueçamos - os estúpidos somos nós.
O miserável que assina esta lixeira exorta ainda as autoridades deste país à restauração definitiva da censura, para que, duma vez por todas, não mais seja possível vituperar tais peritos, por mais estúpidos que pareçam os seus dislates.
Ass.
O ignaro escriba desta náusea blogosférica.
(Sem problemas de auto-estima. Livra!)
«O psiquiatra Pio Abreu disse hoje numa conferência internacional sobre abusos sexuais, em Lisboa, que a auto-estima de uma pessoa melhora se for violada por uma pessoa famosa».
Mais uma prova de que o que não falta para aí, são pseudo-cientistas com uma falta de rigor imperdoável.
Eu que, desde que me lembro, ando a ser constantemente enrabado a sangue-frio por vários governantes, não sinto melhoras nenhumas na auto-estima.
Se calhar tenho que rever a minha definição de pessoas famosas.
Para umas coisas - auto-estradas, por exemplo - usa-se o princípio do utilizador-pagador. Para outras - contribuição para o audio-visual (contribuição para o quê?!) - usa-se o princípio do querolásaberseéutilizador-pagador.
Não interessa se é cego ou surdo, se simplesmente não ouve rádio ou não vê televisão porque não quer. Consome electricidade? Então paga e pronto.
Os mais recentes estudos científicos demonstram que o querolásaberseéutilizador-pagador é uma sub-espécie do queroéqueogajoselixe-pagador (portuguesis pagantus), e que esta se encontra em rápida evolução para uma nova espécie que - prevê-se - daqui a dois anos a substituirá: nasproximaseleiçõeslevamumpontapénorabo-pagador.
Eu já comecei a sentir umas alterações nas articulações, acompanhadas por umas comichõezinhas irritantes de vez em quando. Um bom prenúncio, portanto.
O companheiro de blogosfera Pedro Guedes, no seu Último Reduto, recomenda a leitura dum texto que - considera o Pedro, e bem - deve merecer a nossa reflexão.
O texto refere que cerca de trezentas pessoas falecidas em França, na sequência da última vaga de calor, não tiveram quem as acompanhasse no seu funeral, para lhes prestar a última homenagem, condenando-os assim ao esquecimento e à solidão. Segue com considerações sobre o jaez de tal nação que se está nas tintas para o seu passado e para as suas raízes, e que pretende ainda assim ser um dos faróis da Europa. Entra depois no caminho do manifesto político anti-constituição europeia, criticando a futura dependência de Portugal deste tipo de sociedades.
Ora, apesar de também não me agradar a ideia de uma constituição europeia, acontece que não é por aí. Tomando apenas o exemplo citado, Portugal já é um país dessa índole, onde nada disto é novidade. Também aqui há muitos casos idênticos de funerais de velhos completamente abandonados.
Há anos que sei de histórias de gente que abandona os pais ou outros familiares mais velhos nas urgências hospitalares ou até em esplanadas, apenas para poderem ir de férias sem «a chatice dos velhos».
Isto para já não falar nas antecâmaras da morte que são os lares de terceira idade, eufemismo para designar os milhares de asilos espalhados por este país, onde muitas vezes os nossos velhos são tratados como lixo em condições infra-humanas.
Esta cultura vergonhosa de desprezo pelos velhos - típica das sociedades civilizadas - não é mais que uma das faces da perda de valores a que se tem vindo a assistir nos últimos tempos e que deveriam ser um dos pilares fundamentais da civilização ocidental: o humanismo, a solidariedade, o respeito pelo próximo.
É tempo de reflectir sobre isto porque, como é referido no artigo, «uma sociedade que não respeita os seus velhos, antes os renega, e que os olha como empecilhos em vez de fonte de ensinamento e sabedoria, é, com certeza, uma sociedade alienada e muito doente que tem por arquétipos o materialismo, o egoísmo e o egocentrismo.»
Curiosamente, o respeito pelos mais velhos subsiste ainda nas culturas africanas, asiáticas e indígenas americanas. A expressão em kimbundo (um dos dialectos de Angola) «kota», cujo o significado tão deturpado foi quando da sua assimilação pelo nosso país, significa no original «mais velho», no sentido em que é o mais sábio e aquele a quem se deve respeito por ter, naturalmente, mais experiência na difícil a arte de viver.
Cota - como é grafado em Portugal - é geralmente utilizado como expressão de desdém para com os pais. E é também um exemplo chapado da incorporação adulterada de um vocábulo que não tem paralelo na nossa cultura.
Para mim, os meus pais - e os mais velhos em geral - serão sempre kotas. Cotas, jamais.
Ele há cada uma. Após 4 meses de blogosfera e de já ter visitado centenas (talvez milhares) de blogues, ainda encontro alguns de que nunca tinha ouvido falar.
É o caso do óptimo blogue do João Tunes que, ainda por cima, me atribuiu um prémio.
Depois do presente do Fernando e dos galardões com que o Nuno e o João me brindaram, mais esta agradável surpresa.
Estes troféus vão ficar lindos em cima da lareira.
Espera aí... Eu não tenho lareira... Tenho que mudar de casa.
Isto é incrível... Como é possível que um jornalista que trabalha num jornal de tal gabarito, não investigue as notícias que redige, e publique mentiras destas?
Pondo de lado a incompetência profissional, só restam duas hipóteses: ou o jornalista em questão é completamente surdo, ou desconhece o significado duma palavra que utilizou para aí meia-dúzia de vezes no artigo: cantor.
Recomendo-lhe seriamente um bom aparelho auditivo ou um bom dicionário.
«Cada arma fabricada, cada navio de guerra lançado, cada míssil disparado, significa, no fim de contas, um roubo aos esfomeados que não são alimentados, aos que têm frio e não são agasalhados.»
Dwight D. Eisenhower
16 de Abril de 1953
Nos meus tempos de Faculdade - já lá vão quase 20 anos - eu e mais meia dúzia de colegas malucos (ou não fosse o curso, de Matemática Pura), entre as aulas teóricas de cálculo numérico e de álgebra, e as aulas práticas de king no bar, propúnhamos desafios lógicos e outro tipo de problemas uns aos outros. Por vezes, passavam-se dias até conseguirmos resolvê-los, mas ninguém desistia à primeira.
Lembro-me de um muito simples (para os malucos da matemática, pelo menos) que passo a expôr. Tentem resolvê-lo. Se ninguém conseguir (o que duvido), daqui a dois ou três dias publico a solução.
Alguma das afirmações é verdadeira? Em caso afirmativo, em que página se encontra?
Eis o raciocínio: quando várias afirmações se contradizem, ou são todas falsas, ou só uma é verdadeira.
Se fossem as mil falsas, isso implicava que a última (este livro contém mil afirmações falsas) teria que ser verdadeira, o que é contraditório. Donde, só uma é verdadeira e, portanto, há 999 falsas. O que está escrito na página 999.
Na sequência de uma troca de impressões com o Marquês sobre paradoxos, deixo aqui um que, apesar de não ter relação com a lógica matemática, considero muito interessante (digo eu, que gosto destas coisas).
Foi publicado por Bertrand Russell, que o atribuiu ao bibliotecário Berry da Universidade de Oxford. Daí chamar-se paradoxo de Berry.
Berry notou que o número 1.100.121, isto é, one million, one hundred thousand, one hundred and twenty one, é, nada mais nada menos que the first number not nameable in under ten words.
O paradoxal é que esta segunda expressão tem apenas 9 palavras.
Desde o início do ano que todos os dias oiço falar em retoma.
- 2004 será o ano da retoma.
- A retoma começará no segundo semestre.
- Talvez a retoma comece logo no segundo trimestre.
- Portugal precisa da retoma.
- Os portugueses querem a retoma.
- Os portugueses estão esperançados na retoma.
- Durão Barroso promete a retoma para breve.
- Retoma para aqui, retoma para ali, retoma para acoli.
Pois bem. Como sou um dos milhares de portugueses que jamais, ao longo da vida, ouvira tal expressão, recorri ao dicionário e descobri:
Retoma
Retomar
Agora sim, estou elucidado. Parece-me que, de entre os vários significados possíveis para uma das palavras mais ouvidas nos últimos tempos (capaz de rivalizar com pedofilia, casa, pia, carta, anónima, processo, procurador, juíz, segredo, justiça), este pode ser um deles.
Já agora, fiquem com os dez clássicos mais censurados de sempre:





À primeira vista, nada... Mas a verdade é que todos fazem parte da lista de centenas de livros censurados em escolas secundárias nos Estados Unidos.
Não deixa de ser estranho que, numa democracia com a liberdade de expressão como bandeira, exista uma Associação Nacional Contra a Censura. Leanne Katz, presidente desta associação, falecida em 1997, dizia que a censura só protege a ignorância.
Não posso estar mais de acordo.
Pois é... Daqui a algumas horas regresso ao estúdio de gravação onde trabalho, após duas curtíssimas semanas de férias.
Só espero gravar em 2004 música que não seja pior do que a que gravei em 2003. É verdade que gravei muito lixo no ano que findou, mas a avaliar pelo estado e pela tendência actuais do panorama musical, se o nível se mantiver já posso dar-me por satisfeito. Infelizmente.
-Porque é que ele não quer saber de tarefas domésticas?
-Porque é que ele se interessa tanto por carros?
-Porque é que ele só pensa em trabalho?
-Porque é que ele não fala comigo?
Mistérios da mente masculina que diariamente assolam a mente feminina, agora finalmente explicados.
Há alguns minutos, no concurso Quem quer ser milionário? da RTP, a seguinte pergunta:
- Quem disse, ao ouvir Charlie Parker e Dizzy Gillespie tocarem juntos: «Foi o maior prazer que tive com a minha roupa vestida»?
| A: Duke Ellington | B: Miles Davis |
| C: Chet Baker | D: Benny Goodman |

Você seria Miles Davis (1926-1991). Talvez o mais
controverso jazzman de sempre, com uma carreira
que durou 50 anos, Miles Davis esteve presente
em quase todas as tranformações no jazz,
mantendo sempre o seu modo introspectivo e
melódico de tocar.
Que Artista de Jazz Seria Você?
brought to you by Quizilla
Há luzes que iluminam nossas vidas,
que perseguimos cegos de paixão,
só para darmos à luz um coração
sangrando de utopias destruídas.
Há luzes da ribalta, ouro de Midas,
quimeras sumptuosas de ilusão.
E as da sabedoria e da razão
quantas vezes não são chamas perdidas?
Mas há uma em que sôfrego me aqueço:
a luz desta cidade de encantar
– jóia maior da sua alva coroa –,
e outra, que decerto não mereço:
a luz que só tu trazes nesse olhar
que brilha mais à luz desta Lisboa.
2 de Janeiro de 2004
Soneto inspirado neste belo entardecer no Chiado, captado pelo olhar atento do João.
Por esta é que eu não esperava. O final de 2003 trouxe-me dois prémios dois.
O Nuno elegeu-me o blogue sincero do ano e o João incluiu-me entre os 15 melhores nacionais.
Ainda mal refeito da surpresa, só me resta agradecer-lhes a gentileza e continuar a esforçar-me para merecer, ainda mais, a preferência.
Para já, a certeza de que continuarei fiel leitor dos dois.
(Se Fernando Pessoa fosse vivo...)
Todas as cartas anónimas são
Ridículas.
Não seriam cartas ridículas se não fossem
Anónimas.
Muitos escrevem neste tempo cartas anónimas,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas anónimas, porque são anónimas,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Todas as criaturas que escrevem
Cartas anónimas
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que não se incluíam
Nos processos
Cartas anónimas
Ridículas.
A verdade é que hoje
As notícias diárias
Dessas cartas anónimas
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como as atitudes esdrúxulas,
São naturalmente
Ridículas).
Um dos grandes dramas da nossa civilização é a falta de comunicação entre as pessoas. Habituámo-nos a fazê-lo através de novos métodos, de algum modo, impessoais: SMS, emails, chats, foruns, blogues... e a escondermo-nos por detrás deles.
Apesar de existirem grandes diferenças entre estas formas de comunicação, uma coisa há que as une: prestam-se a equívocos. E alguns de difícil esclarecimento posterior.
Não há como uma conversa cara-a-cara ou, na impossibilidade desta, por telefone. Pelo menos ouve-se a voz do outro, o que implica alguma proximidade.
Seria tão bom que as pessoas voltassem a ter coragem para realmente comunicarem umas com as outras... Não seria mais do que uma simples manifestação de inteligência. Afinal, a única coisa que - segundo dizem - nos distingue dos outros animais...