Cidadão do Mundo


[domingo, 28 de setembro de 2003]

Quo vadis?

Cântico Negro

«Vem por aqui» - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: «vem por aqui»!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
-Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: «vem por aqui»?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca princípio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: «vem por aqui»!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um atomo a mais que se animou...
Não se por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!

José Régio, Poemas de Deus e do Diabo

Publicado por Fernando @ 14:47 | Um Mundo de Cidadãos (3)

[quinta-feira, 25 de setembro de 2003]

Liberdade

Esta mulher, Amina Lawal, foi condenada por um tribunal islâmico nigeriano à pena de morte por lapidação. O seu crime foi ter tido um filho fora do casamento. A defesa recorreu, argumentando que a criança fora concebida antes da entrada em vigor da lei, e que fora fecundada ainda durante o seu casamento.
O surrealismo ridículo de tudo isto só não dá para rir, porque é um caso de vida ou de morte.

Muito tem o mundo que percorrer até que este tipo de notícias seja totalmente erradicado do nosso dia-a-dia. Mas, por enquanto, resta-nos a consolação de que Amina foi hoje libertada na sequência do recurso.

Publicado por Fernando @ 18:13 | Um Mundo de Cidadãos (0)

Há momentos assim

Há momentos em que não me apetece escrever nada.
Também... Ninguém me obriga.

Publicado por Fernando @ 15:44 | Um Mundo de Cidadãos (1)

Inutilidades (2)

Apesar de ter o autocolante "Correspondência não endereçada, não obrigado", deparo-me muitas vezes com autêntico lixo na caixa do correio.
De vez em quando, também recebo umas pérolas como esta.

Um único motivo me leva a partilhar isto com a blogosfera.
Quem sabe, alguém poderá precisar da experiência sobre a prática de Woro, do Gotto e do Kahatim.
Se for esse o caso, aproveitem bem.

Publicado por Fernando @ 13:05 | Um Mundo de Cidadãos (0)

[quarta-feira, 24 de setembro de 2003]

Lista à la Amélie Poulain

Há dias revi o "Fabuloso Destino de Amélie".
Quem viu o filme, sabe que há uma lista gosto/não gosto atribuída às personagens.

Eis uma minha (bela cacofonia) possível lista, sem qualquer ordem em especial.

Gosto

  • Amigos, Música, Animais

  • Conversas, Tertúlias, Debates

  • Filatelia, História, Cinema, Teatro, Fotografia

  • Cerveja, Cozido à Portuguesa, Doces (leite-creme, leite-creme e leite-creme)

  • Matemática, Ilusionismo, Fractais

  • Televisão, Informática
  • Não gosto

  • ditadores, terroristas, xenófobos, demagogos, hipócritas e outros imbecis

  • pontapés na gramática

  • caça, touradas (excepto as pegas quando o touro ganha)

  • arroz de grelos, picante, vinho

  • astrologia, tarot e aldrabices afins

  • televisão, informática
  • Publicado por Fernando @ 18:56 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    Agradecimentos

    Quero agradecer publicamente a quem me enviou emails felicitando-me pelo blogue.
    Por elementar dever de reciprocidade, adicionei à minha lista de favoritos todos os que me referenciaram nos blogues respectivos. Todos os de que me apercebi, claro.

    Publicado por Fernando @ 17:43 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    [segunda-feira, 22 de setembro de 2003]

    Ele há cada maluco...

    Uma amiga minha contou-me uma história deveras interessante.
    O seu filho, aluno do ensino secundário, começara a estudar a obra de Gil Vicente. Um dos colegas, ao perguntar à professora porque é que Gil Vicente "escrevia assim", recebeu a seguinte resposta, que cito de memória:

    - O Gil Vicente era meio maluco. Além disso, naquele tempo não havia gramática e cada um escrevia como lhe apetecia.

    É, no mínimo, uma opinião peculiar sobre um maiores vultos da dramaturgia mundial.

    Publicado por Fernando @ 10:27 | Um Mundo de Cidadãos (3)

    Dia Municipal do Ridículo

    Pedro Santana Lopes manifestou-se diversas vezes contra a demagogia e hipocrisia que é o Dia Europeu sem Carros. E bem, na minha opinião.
    Mas como se justifica agora, a adesão da Câmara de Lisboa à iniciativa, quando, ainda por cima, há menos 6 países e 443 cidades a aderir?
    Para cúmulo, apenas duas ruas foram cortadas ao trânsito.

    E se, em Lisboa, esta data passasse a assinalar-se como Dia Municipal do Ridículo?

    Publicado por Fernando @ 10:02 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    [domingo, 21 de setembro de 2003]

    É mesmo para parecer

    A respeito do seu novo papel como comentador na SIC, Pacheco Pereira escreveu hoje no Abrupto: «Ao aceitar fazê-lo no noticiário de domingo, por sugestão da SIC, é inevitável que tal pareça um confronto com Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, que domina indiscutivelmente esse espaço da programação.»

    É óbvio que parece um confronto e é essa a ideia. Mesmo que Pacheco Pereira não tenha qualquer intenção competitiva - como ele próprio afirma no mesmo post - a SIC tem.
    Senão repare-se no trailer promocional. Entre outras coisas refere «...os livros realmente lidos...».
    Se isto não é uma deliciosa alfinetada em Marcelo, é o quê?

    Publicado por Fernando @ 23:51 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    O maravilhoso mundo dos fractais

    Para todos os que, como eu, se interessam por arte fractal, e para os que não fazem a mínima ideia do que é.
    O link está na imagem.

    Publicado por Fernando @ 22:50 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    Onde está o Titanic?

    Publicado por Fernando @ 00:10 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    [sábado, 20 de setembro de 2003]

    Avisos de morte

    Desde há uns dias que os maços de tabaco ostentam novos avisos sobre os perigos para a saúde que o seu consumo pode provocar.
    Do tímido «Fumar prejudica gravemente a saúde» em letras miudinhas, passou-se para o taxativo «Fumar mata» em letras garrafais.

    Proponho que esta medida seja alargada a outros tipos de produtos que também se têm revelado altamente letais para os portugueses. Um deles - tal como o tabaco - contribui significativamente para os cofres do estado: O automóvel.

    Publicado por Fernando @ 22:32 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    A associação que faltava

    AKA - Associação dos Kolmistas Anónimos

    O que é um kolmista?
    O kolmista é um indivíduo que sofre de kolmismo.

    O que é o kolmismo?
    É um distúrbio de natureza psiquiátrica que se caracteriza pelo vício de enviar kolmis.

    O que é um kolmi?
    O kolmi é um serviço de uma das operadoras de telemóveis, que permite a quem não tem saldo, enviar uma mensagem pedindo que lhe liguem.

    Como se comporta um kolmista ?
    O kolmista envia kolmis compulsivamente a todos os seus amigos e conhecidos e, em casos extremos, a pessoas que não conhece.

    Como é que o kolmista afecta os outros?
    Quando recebe os primeiros kolmis, a vítima geralmente responde. Começa depois a receber cada vez mais kolmis que lhe entopem o telemóvel, não lhe dão descanso e lhe deixam os nervos em franja.
    «O kolmismo é um caso patológico ainda mal estudado, mas pensa-se que os kolmistas trocam entre si os números das suas agendas, aumentando exponencialmente o número de vítimas.» - Doutor T. Lélé, colaborador da AKA e estudioso do fenómeno.

    Como se reconhece um kolmista?
    Ainda segundo o Dr. T. Lélé «Há três características que indubitavelmente o identificam, e que podem ocorrer simultaneamente ou não». A saber:
    1 - O kolmista não carrega o telemóvel.
    2 - O kolmista nunca carrega o telemóvel.
    3 - O kolmista jamais carrega o telemóvel.

    Se na sua vida social ou profissional se deparar com um kolmista, não hesite. Aconselhe-o a procurar ajuda na AKA. Quem sabe, estará a evitar uma mão cheia de kolmis no seu telemóvel e a proteger a sua sanidade mental.

    Eis alguns testemunhos de frequentadores das nossas sessões:
    - A AKA mudou a minha vida. Já não mando nenhum kolmi há 4 dias e os meus amigos recomeçam lentamente a ligar-me. Obrigado.

    - Antes de ter começado a frequentar as reuniões, enviava mais de 1200 kolmis por dia. Após o primeiro encontro, consegui reduzir para cerca de metade. Agora, uma semana depois, envio 1 ou 2 por dia. Sei que vou conseguir.

    - A minha vida voltou ao normal. As pessoas já me telefonam. Não sei o que seria de mim sem a AKA.


    Para ti, caro cidadão kolmista, esta é oportunidade de te curares e devolveres aos teus amigos a paz de espírito e a tranquilidade a que têm direito. Procura-nos.

    Publicado por Fernando @ 00:03 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    [sexta-feira, 19 de setembro de 2003]

    Ainda as operações de sistemas (o que quer que isso seja)

    No post anterior afirmei que não pretendia voltar ao tal blogue, mas assim que soube que o grunho o tinha suspendido, tive que ir ver com os meus próprios olhos. Faltei ao prometido, mas foi mais forte que eu. O imbecil fechou a loja. De vez, espero.

    Num outro post mais abaixo encontrei o seguinte comentário do Gabriel Silva:
    «Os blogs sendo inteiramente livres, foram no entanto criando entre si algumas regras, quer de etiqueta, quer de funcionamento. (...) No entanto, uma delas que julgo particularmente útil, diz respeito a que não se apagam "post". (...) Tal como numa conversa, não podemos apagar o que já dissemos, apenas corrigir, lamentar, alterar, reconhecer erro, etc. Portanto, venho lamentar que o seu anterior post sobre o rapaz das operações de sistemas tenha sido apagado.»

    Caro Gabriel,
    Não faço a mínima ideia do que poderá ter acontecido. Garanto-lhe que nunca apaguei um post, nem tal me passaria pela cabeça. Admito que já fiz correcções a alguns posts, quer a algumas frases, quer a títulos - geralmente por detectar uma ou outra gralha.
    Tenho reparado que alguns blogues por vezes aparecem "cortados", só se conseguindo ler parte dos posts. Descobri n'A Quinta Coluna que dando um duplo clique no botão "Favoritos", o problema ficava resolvido. Já experimentei em vários blogues com este problema e funciona. (!!!!!!)
    Admito que tenha acontecido qualquer coisa do mesmo género ao aceder a este blogue.

    Refere, no entanto, algo que me parece importante. As regras de funcionamento que entretando se foram criando na blogosfera, e que são próprias de uma comunidade civilizada. Mesmo nas discussões mais aguerridas entre bloguistas (principalmente entre os de tendências políticas opostas) ainda não me apercebi que alguém recorresse ao insulto ou ao ataque pessoal rasteiro.
    Pois foi justamente isso que o "rapaz das operações de sistemas" fez e que me irritou. Acho sinceramente que tudo o que escreveu, principalmente aqueles comentários nojentos no veneno eficaz, são um insulto a toda a gente, dentro e fora da blogosfera.

    Concordo com o Gabriel acerca de não se apagarem os posts. Não posso, por isso, deixar de achar lamentável o corte do acesso aos arquivos do Pipi.

    Quero ainda referir que não linkei o blogue em questão, porque também acho, como diz o barnabé: «Ao não linkarmos estamos a dizer: com aquele senhor não falo».

    Publicado por Fernando @ 09:32 | Um Mundo de Cidadãos (2)

    [quinta-feira, 18 de setembro de 2003]

    A blogosfera está mais pobre

    Há uns dias, fui surpreendido por um comentário a um dos meus posts, assinado por um tal João Hugo Faria. Era perfeitamente descabido para o post em questão, embora eu tenha já escrito alguns passíveis de tal comentário, por alguém que não veja o mundo como eu.
    Comecei depois a aperceber-me que o indivíduo em questão, comentava outros posts em vários blogues. Os comentários eram perfeitamente disparatados - não o disparate com laivos humorísticos, mas o disparate puro. Tontinho, estúpido, sem nexo.
    Há pouco, um link num comentário a um post do José Carlos Soares, levou-me ao blogue do referido indivíduo.

    À medida que fui lendo, a minha análise ao que se me deparava foi evoluindo.
    Entrei no blogue. - Olha... O blogue tem o nome dele. E a descrição do blogue?!!! Isto é surrealista.
    Comecei a ler os primeiros posts. - Epá, este gajo é um atrasado mental.
    Cheguei aos post dos backups. - Para quem trabalha há mais de 15 anos em informática, o gajo não faz a mínima ideia do que é um CD ou DVD. Que estranho.
    Continuei a ler. - O gajo escreve com muitos erros. Erros demais...Quase não usa acentos, mas escreve 'é' e 'à' acentuados. Parece deliberado. Hum...
    Li "A equipa perfeita" e "A hierarquia". - Só pode ser gozo. Ninguém pensa assim, nem com apenas metade dos neurónios a funcionar.

    Quando cheguei ao fim, estava convencidíssimo que tudo aquilo era uma mais uma do estilo Pipi, para sacudir um bocado a blogosfera lusa...

    Vieram-me à memória os livros do Vitorino de Almeida, «Coca-Cola Killer» e «Tubarão 2000», que contam na primeira pessoa, a história dum narcisista troca-tintas e imbecil, com um ego e uma estupidez do tamanho do universo.
    Ou o gajo se inspirou nos livros, ou o Vitorino de Almeida se inspirou nele.

    Posto isto, estava disposto a recomendá-lo como um belo blogue humorístico. Até pensei em criar a ABCJHF - Associação de Blogues com Comentários do João Hugo Faria, para recolher as pérolas que ele foi atirando nestes últimos dias. Só que mudei de ideia, e passo a explicar porquê.

    Comecei a minha nocturna ronda blogosférica e verifiquei que já muitos bloguistas se haviam referido a ele.
    A Charlotte chamou-lhe "cromo". O Homem a Dias atribuiu-lhe o título de "melhor blogue nacional". O maradona chama-lhe "uma genial criação artística". De link em link cheguei ao veneno eficaz.

    Desconhecia até hoje a existência deste blogue, e apercebi-me que o seu autor, Fernando Cameira, morreu de cancro a 3 de Setembro. Li todos os posts e vêem-se ali as dúvidas e os sonhos de um homem cheio de vida, um verdadeiro cidadão do mundo. O Fernando morreu, mas o seu blogue não. A partir de hoje, ficará em lugar de destaque na minha lista de links.
    A sua morte foi-nos dada a conhecer no último post, escrito pela sua companheira. Entre os comentários conta-se este, que transcrevo na íntegra:

    «Quem foi essa figura? Teve relevo na humanidade? Explique-me poir favor que eu gosto muito de cultura e de ler livros culturais. Em troca visite o meu site onde eu explico varias coisas sobre operacao de sistemas. O segredo para o sucesso dos sites da internet.

    joao hugo faria»

    Quer este tipo de comentários, quer a morte de um companheiro bloguista, deixam a blogosfera mais pobre.
    Todavia, tenho a certeza de que visitarei ainda muitas vezes o veneno eficaz, não pretendo é voltar ao blogue do estúpido João Hugo Faria.

    Apelo daqui a que façam o mesmo. Boicotem este filho da puta imbecil.

    Publicado por Fernando @ 00:03 | Um Mundo de Cidadãos (6)

    [quarta-feira, 17 de setembro de 2003]

    Pergunta do dia

    Que raio de país é este, em que os bombeiros precisam de vender rifas nos semáforos, para comprarem viaturas novas?

    Publicado por Fernando @ 13:41 | Um Mundo de Cidadãos (3)

    Dezenas de nabo, centenas de asneira

    A RTP tem no programa Bom-dia Portugal, uma rubrica que procura ensinar os portugueses a falarem bom português. É pena que essa louvável intenção se resuma a uns míseros minutos diários, e durante o resto da emissão as calinadas surjam com frequência.
    Há até uma bacorada, já clássica, repetida semanalmente com hora marcada e tudo. Em todos os sorteios do Joker, os apresentadores referem-se aos algarismos das unidades, das dezenas, das centenas, dos milhares, das dezenas de milhar, das centenas de milhar e dos milhões.

    Não há dezenas de milhar, nem centenas de milhar. Tal como não há dezenas de casa, nem centenas de automóvel.

    Há dezenas de milhares e centenas de milhares. Assim... No plural.

    Publicado por Fernando @ 12:26 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    Mais uma moda nova

    Tenho-me perguntado frequentemente, o que levará alguém a enviar as mensagens SMS que aparecem nos rodapés das nossos televisores.
    Porque raio é que um gajo gasta mais de cem merréis, para escarrapachar na TV coisas do género:

    - O Malato é o maximo. João amo te muinto. Volta eu perdou-te. (Pedro, Braga)
    - Carlitos a ex-turma do colegio está ctg e com a tua cadela Tina. (Salete, Samora Correia)
    - A Sónia é uma krida. Jinhos para todos. (Bruno, Beja)
    - Força TVI. Gosta-mos de ver o Goucha nos cornos do boi. (Zeferina e Joaquina, Barrancos)
    - Rui Rio, vai-te afogar. O FCP é o maior carago. (Pinto da Costa, Porto)
    - O pograma é bué da fixe. Curto o padre borga. (Fátima, Fátima)
    - Boinas Negras em Fulacunda (Guiné) 1968. Encontro dia 29 em Águeda. (Anónimo, Algures)
    - Rui Rio, vai-te afogar. O FCP é o maior carago. (Luís Filipe Menezes, Vila Nova de Gaia)

    Acho que é um fenómeno que merece uma cuidada análise sociológica. Não tendo muitos conhecimentos nessa área, peço a vossa colaboração para um estudo mais aprofundado sobre o assunto. Eis três opções que ponho à vossa consideração:

    A - As mensagens não existem. São uma ilusão de óptica ou uma alucinação colectiva.
    B - As mensagens são inventadas pelas estações de televisão, para dar a idéia de que o programa tem audiência.
    C - As mensagens são verdadeiras e vivemos num país de atrasados mentais.


    Participe. Escreva CDM seguido da opção escolhida e envie para o nº 1331. Preço por mensagem 0,60€ (IVA incluído).

    Publicado por Fernando @ 12:04 | Um Mundo de Cidadãos (3)

    [segunda-feira, 15 de setembro de 2003]

    O seu a seu dono

    Nos últimos tempos, temos assistido a lançamentos de livros de figuras públicas dos mais variados quadrantes. A ideia que passa para a opinião pública, é a de que são eles os autores dos livros, o que é manifestamente impossível, já que, na generalidade, não sabem sequer falar, quanto mais escrever.
    Para mim, a expressão "livro de fulano de tal", refere-se sempre ao livro escrito por fulano de tal. E não é o que se está a passar.
    Senão vejamos, apenas a título de exemplo, alguns lançamentos recentes:

    O livro "de" José Mourinho, José Mourinho, foi escrito por Luís Lourenço.
    O livro "de" Simão Sabrosa, A arte de Simão Sabrosa, foi escrito por Luís Miguel Pereira.
    O livro "de" Deco, Deco - O Preço da glória, foi escrito por Sérgio Alves.
    O livro "de" Laszlo Bölöni, O bloco de notas de Laszlo Bölöni, foi escrito por Luís Miguel Pereira.
    O livro "de" Teresa Guilherme, As paixões de Teresa Guilherme, foi escrito por Palmira Correia.
    O livro "de" Camacho Costa, Camacho Costa - O prazer de viver, foi escrito por Palmira Correia.

    Já agora, o exemplo mais recente no plano internacional, o livro "de" David Beckham, My side, foi escrito por Tom Watt.

    Publicado por Fernando @ 12:06 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    Frases para a História

    Diálogo no Herman SIC, ontem à noite.

    Herman José: Dizem as pessoas que a conhecem, que a Susana é muito inteligente.
    Cláudio Ramos: Só podia ser, para estar comigo. Somos opostos.

    Obrigado, mas já sabíamos. Novidades, novidades...


    Também no mesmo programa, duas frases da autoria de Mr. Chateau Blanc:
    - Desde pequeno que me interesso por moda e tenho um olho muito esteta.
    - A Betty é a minha verdadeira Barbie, no bom sentido.

    Abstendo-me de comentar a primeira frase, não posso, no entanto, deixar de perguntar que bom sentido é que há para Barbie?

    Mas a melhor da noite pertenceu a Herman José.
    Enquanto experimentava os brincos, colares e pulseiras de Chateau Blanc, cuidadosamente ajudado por este:
    - Peço imensa desculpa por este momento de bichice.

    Publicado por Fernando @ 11:40 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    Inutilidades

    Todos temos perguntas que nos assolam a existência de vez em quando. Algumas tão insistentes, que chegam a toldar-nos a capacidade de viver de bem com o mundo e com os outros.
    Felizmente, nas minhas deambulações pela net, dei com a resposta a muitas delas:

    "O perfeito domínio da imagem, da etiqueta e do protocolo é uma forma de atingir o sucesso. Neste livro, Paula Bobone, reconhecida especialista e autoridade no mundo das Relações Públicas, revela as normas, preceitos e conselhos para desenvolver os conhecimentos e as práticas do saber estar, no ambiente laboral. Quem tiver dúvidas e indecisões sobre a maneira como fazer apresentações, dar presentes, como vestir para um cocktail, ter estilo pessoal, etc., encontra aqui orientação e ajuda. «Profissionalmente Correcto», responde a questões como: distinguir o saber vestir do estar na moda, como acompanhar uma senhora num restaurante ou num automóvel, tomar parte num almoço de negócios, organizar um cocktail, usar correctamente as formas de tratamento, saber escrever uma carta ou um convite, quando se usa o cartão-de-visita, como e quando se faz um discurso e um brinde, preparar uma viagem de trabalho, quais as novas regras de utilização do telemóvel, como chegar e se integrar num banquete ou numa recepção, como se apresentar num primeiro emprego, como fazer um currículo, a primeira entrevista, imaginar o perfil do candidato a um emprego, o que pode e o que não deve fazer no escritório, como e quando deve usar a ética profissional, como distinguir a etiqueta da ética, saber o que é o protocolo oficial e o moderno conceito do protocolo empresarial, o profissionalismo do executivo, da secretária, e como organizar ou como participar num congresso.
    Estas são algumas das questões esclarecidas no «Profissionalmente Correcto» de Paula Bobone, um livro útil e formativo que se impunha na continuação do bestseller «Socialmente Correcto» da mesma autora."

    Já agora, eis a resposta a outras perguntas igualmente pertinentes:

    "Sabe como preparar o casamento da sua filha? Sabe em que situações se usa chapéu? Como vestir-se para uma recepção ou para um passeio de barco? E organizar um jantar em casa? Estas e outras questões são tratadas neste «Socialmente Correcto» de Paula Bobone, mas o livro não se esgota nelas. «Socialmente Correcto» é um livro sobre os comportamentos e estilos de vida tidos como bons dentro do quadro social a que se pertence. Para desempenhar um comportamento socialmente correcto há que estar à vontade, ter naturalidade e reflexos rápidos em todas as situações, das mais previsíveis às mais inesperadas. Um comportamento socialmente correcto implica o domínio das regras de educação e saber estar tradicionais, adaptados aos novos contextos de uma actualidade marcada por uma permanente renovação a uma velocidade sem precedentes. «Socialmente Correcto» poderá contribuir para a compreensão das transformações da passagem da sociedade tradicional para a sociedade moderna deste final de século, ajudar a reagir contra a decadência social e, sobretudo, defender a educação como um elemento perdurável e essencial de progresso."

    Ainda bem que há quem se preocupe com as minhas dúvidas existenciais.
    Muito obrigado, Paula Bobone. Bem haja!

    Publicado por Fernando @ 10:03 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    Obrigado Vítor

    A primeira vez que fui ao futebol teria os meus 8 anos. Fui com o meu pai ao estádio José de Alvalade, e, se não me falha a memória, o jogo era com o Braga. Vi jogar, pela primeira vez, o Vítor Damas e foi amor à primeira vista.
    O Damas tinha um estilo elegante (uma elegância felina, digo eu que sou "leão") e fez-me olhar com outros olhos para a figura do guarda-redes.
    Como quase todos os miúdos que dão uns chutos na bola com os amigos, eu queria era jogar "à frente", marcar golos. Na escolha das equipas, o lugar de guarda-redes era geralmente reservado para os "coxos" ou para os "gordos". Comecei a querer "ir à baliza" desde então.
    Graças ao Damas, tanto quanto ver um grande golo, dá-me um prazer muito especial ver uma grande defesa.

    Obrigado Vítor.

    Publicado por Fernando @ 09:15 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    [domingo, 14 de setembro de 2003]

    Chapada anti-socrática

    O meu avô era comerciante. Tinha uma mercearia, uma adega, um celeiro, animais e outras coisas mais...
    Era um homem que se levantava sempre às cinco da manhã e se deitava já depois da meia-noite. Trabalhava todos os dias do ano, nunca tinha férias e nunca parava de trabalhar por mais que dois ou três dias seguidos - geralmente para ir à sede de concelho ou para vir à capital tratar de negócios ou papeladas. A coisa que mais lhe custava era "fechar a loja". Por isso, muitas vezes a minha avó ficava sozinha a orientar o negócio, enquanto ele se ausentava.

    O meu avô era um homem da província, rijo e rude, produto inevitável da vida dura que levara. E detestava "modernices"...
    Uma das que mais o incomodava, era eu e a minha irmã tratarmos os pais por «tu».
    Para um homem que não admitia ser tratado por «você», e para quem «vocemecê» é que era educação, era natural a sua irritação.

    Escusado será dizer que eu evitava tratar os meus pais por «tu» à frente dele, pois habilitar-me-ia na hora a uma valente galheta.
    - Se o teu pai não te educa, educo-te eu!...

    Ora, tinha eu os meus 11 ou 12 anos, quando um dia fui apanhado em flagrante delito. Lá vem chapada - pensei.
    Enganei-me. O meu avô sentou-se num dos bancos de madeira da cozinha, puxou-me para junto dele e disse-me calma, mas firmemente:
    - Ouve lá! É isso que te ensinam na escola?
    - Isso, o quê? - Eu tremia, antecipando a inevitável chapada.
    - Isso... Tratares assim os teus pais... Por «tu».
    - Não avô. Na escola ensinam-me a tratar por «tu» os meus amigos.
    - Mas isso é que está certo. Os amigos é que se tratam por «tu». - O diálogo decorria sereno e eu só pensava que já estava safo. Foi então que resolvi arriscar.
    - Mas avô...
    - O quê?!
    - Os meus pais não são os meus melhores amigos? - Ah ah, ganhei-te, pensei.
    O meu avô levantou-se de supetão, olhou-me de cima a baixo, leu-me na cara o indisfarçável ar de satisfação... E aplicou-me um dos maiores chapadões de que tenho memória.

    Descobri nesse dia que a ironia, além de uma figura de estilo, é também uma arma.

    Publicado por Fernando @ 13:48 | Um Mundo de Cidadãos (2)

    Correio dos leitores (2)

    From:Mardocien [bluestelltn@yahoo.com]

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    - Caro Merdocien,
    Fico muito feliz por te interessares pela minha masculinidade, mas acho que o melhor sítio para venderes a tua mercadoria, é no chatroom deste senhor. É no link mesmo ao lado da hora do post.

    Um abraço,
    Fernando


    From:Online Prescriptions [drjenkins@inforush.biz]

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    - Caríssimo Online,
    Muito obrigado pela tua preocupação com o meu bem-estar. Já é muito mais do que o Governo faz por mim.
    De PROZAC não preciso. Escrever neste blogue - que, estou certo, tens lido com prazer - tem para mim o mesmo efeito.
    Quanto ao PAXIL e ao ZOLOFT (o que quer sejam) podes enfiá-los aqui.

    Vai aparecendo. O site meter agradece.
    Saudações cordiais,
    Fernando

    Publicado por Fernando @ 12:17 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    Correio dos leitores (1)

    Tenho recebido alguns emails de gente que não conheço de lado nenhum. A única explicação é serem visitas assíduas deste blogue.
    Eis alguns dos que recebi hoje:


    From:[girlE06H8N@yahoo.com]

    Hello, I'm 22 years old female and my name is Anna. I saw your profile on the net and found to be interesting.. email me back at Vanessa_075_Balckwood@hotmail.com if you want to exchange pictures or whatever...
    waiting for your reply=)...

    bye... =) #@

    - Minha querida Anna,
    obrigado por me teres contactado.
    Calculo que tenhas ficado sensibilizada com o meu blogue, para perderes algum do teu tempo a escrever-me palavras tão simpáticas.
    Espero ansiosamente pelo whatever.

    Beijos,
    Fernando


    From:Cathy [5mill@empl.ontarioemployment.com]

    Hi my name is Cathy, I just started working with Susan.
    Susan says that we are neighbours (she also says hi)
    here is my personal homepage: http://empl.ontarioemployment.com/m/l?2ad-61r8-1-347n-32m0r

    It has my pictures and contact information.
    I hope we can meet.

    Regards
    Cathy

    - Querida Cathy,
    ainda bem que trabalhas com a Susan (um grande hi para ela também) e ainda bem que somos vizinhos. Assim, talvez nos possamos encontrar em breve como tanto esperas. Estou ansioso para ouvir pessoalmente a tua opinião sobre este blogue.

    Beijos,
    Fernando

    P.S. Segui o teu link, mas abriram-se subitamente, onze janelas onze, do Windows Explorer com umas raparigas e alguns amigos a brincarem alegremente nus. De cada vez que fechava uma, abriam-se mais duas ou três. Foi de tal maneira, que o meu computador bloqueou (maldito Bill Gates...)
    Por isso, ainda não consegui ver a tua página pessoal. Mas assim que tiver algum tempo, tento outra vez.

    Publicado por Fernando @ 11:58 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    Mistérios do universo

    Muitos mistérios houve que, aos longos dos tempos, foram sendo desvendados pela vontade indomável do ser humano em compreender tudo o que o rodeia. Todavia, muitos há ainda por desvendar. Para alguns casos, até existe uma panóplia de diferentes teorias - das mais lógicas às mais estapafúrdias, das mais simples às mais complexas.
    Há, contudo, coisas que desafiam a inteligência e a lógica, e muito tempo será necessário para as explicar.

    Já nem falo dos gigantes da Ilha da Páscoa, da extinção dos dinossáurios, da técnica de leitura do Marcelo Rebelo de Sousa, da conjectura de Poincaré, do Carlos Carvalhas, da expansão do universo, da hipótese de Riemann, do Paulo Portas...

    Alguém tem alguma explicação - plausível ou não - para o facto de a TVI estar, a esta hora, a emitir uma péssima telenovela (passe o pleonasmo) brasileira, de nome Dona Anja?!!!

    Publicado por Fernando @ 05:01 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    U ençino ein Purtugal

    Anos 50 - Ensino tradicional
    Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda. Qual foi o seu lucro?

    Anos 60 - Ensino tradicional revisto
    Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram de 80$00. Qual foi o seu lucro?

    Anos 70 - Ensino moderno
    Um camponês troca um conjunto B de batatas por um conjunto M de moedas. O cardinal do conjunto M é de 100 e cada elemento de M vale 1$00. Desenha o diagrama de Venn do conjunto M com 100 pontos que representam os elementos desse conjunto. O conjunto C dos custos de produção tem menos 20 elementos do que o conjunto M. Representa C como subconjunto de M e escreve a vermelho o cardinal do conjunto L do lucro.

    Anos 80 - Ensino renovado
    Um agricultor vendeu um saco de batatas por 100$00. Os custos de produção elevam-se a 80$00 e o lucro é de 20$00.
    Trabalho a realizar: sublinha a palavra "batatas" e discute-a com o teu colega de carteira.

    Anos 90 - Ensino reformado
    Um kampunes recebeu um çubssidio de 50$00 para purdusir um çaco de batatas, o qual vendeo por 100$00 e gastou 80$00. Analiza o teisto do isercicio e em ceguida dis o que penças desta maneira de henriquesser.

    Século XXI - Ensino o quê? Não aprendi nada...


    Por favor, acordem antes que seja tarde demais! (Se é que já não é...)


    (Recebido por email)

    Publicado por Fernando @ 03:59 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    [sábado, 13 de setembro de 2003]

    Milhões e biliões

    Ontem à tarde fui a um hipermercado e, devido à predominância de material escolar, dei comigo com um dicionário de português da Universal na mão. Abri-o casualmente, e dei de caras com esta definição:
    Bilião - mil milhões.

    Ora bem, vamos a esclarecimentos: Um bilião é um milhão de milhões (1 000 000 000 000) e não mil milhões (1 000 000 000). A diferença é de mill vezes menos.

    A definição que consta nesse dicionário aplica-se aos EUA, e a outros países que seguem a ordenação americana - o Brasil, por exemplo.
    Curiosamente, no Dicionário Universal Online a definição está correcta.

    É muito frequente ver estes valores mal traduzidos, principalmente por jornalistas, quando se referem aos biliões de dólares do orçamento americano para qualquer actividade (geralmente de carácter bélico, acrescento).

    A quem interesse, aqui vai a história toda. Segundo o «Sistema Internacional de Unidades» de Guilherme de Almeida, edição da Plátano Editora:
    «A nomenclatura dos grandes números foi estudada pelo 'Bureau des Longitudes', de Paris, tendo sido apresentada à Comissão Geral de Pesos e Medidas (CGPM), que, na sua 9.ª Conferência (1948), recomendou, por unanimidade, a regra N nos países europeus.

    Em Portugal, essa resolução internacional encontra-se na Norma Portuguesa NP-18, estando ainda referida na portaria n.º 17 052 de 4 de Março de 1959, do Ministério da Educação Nacional.
    A regra N é dada pela expressão designatória: 10 elevado a 6N = (N) ilião. Geralmente temos, no lugar do N, bi, tri, etc.»

    A nomenclatura dos grandes números será, portanto, para Portugal, e para os restantes países europeus, a seguinte:
    10 elevado a 6 = 10 elevado a 6x1 = milhão;
    10 elevado a 12 = 10 elevado a 6x2 = bilião;
    10 elevado a 18 = 10 elevado a 6x3 = trilião;
    10 elevado a 24 = 10 elevado a 6x4 = quatrilião;
    10 elevado a 30 = 10 elevado a 6x5 = quintilião;
    10 elevado a 36 = 10 elevado a 6x6 = sextilião;
    10 elevado a 42 = 10 elevado a 6x7 = septilião;
    10 elevado a 48 = 10 elevado a 6x8 = octilião;
    10 elevado a 54 = 10 elevado a 6x9 = nonilião;

    É muita confusão?

    Publicado por Fernando @ 02:56 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    Fora o árbitro!

    Acabo de dar umas voltas à Blogosfera Lusitana, e a maior parte dos posts mais recentes resume-se a isto:
    - Pacheco Pereira vs Mário Soares: 7-0 (vitória por cabazada, da equipa visitada)
    - 11 de Setembro - 1973 vs 2001: Empate técnico (após prolongamento)

    Cá pra mim, a culpa é do árbitro.


    P.S. Faltou outro tema em alta:
    - Canal Íntimo: Fechou o punhetódromo dos pobres (também aqui a luta de classes...)

    Fora o árbitro!

    Publicado por Fernando @ 01:37 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    [sexta-feira, 12 de setembro de 2003]

    Dinheiro Mágico

    Dois empresários portugueses foram burlados por um vigarista nigeriano, que os convenceu de que tinha um processo mágico para produzir dinheiro.

    Uma nota de 50 euros era agregada a uma folha de papel em branco - que era na verdade era uma nota igual pintada de branco. As duas eram mergulhadas em líquidos reagentes e, desaparecida a tinta branca, surgia outra nota de 50 euros.
    "Se duvidarem da nota vão ao banco." E o banco, claro, garantia a validade de 50 euros.
    Entregaram depois 500 mil euros ao burlão - que só trabalhava com grandes quantidadades, claro - e nunca mais o viram.

    (??!!!!!!!!...)

    É verdade, sim senhor.

    Digam lá se com "empresários" destes, chegamos a algum lado?

    Publicado por Fernando @ 21:03 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    Benigno Mussolini

    Silvio Berlusconi afirmou a dois jornalistas britânicos que "Mussolini foi um líder benevolente que nunca matou ninguém. Mussolini mandava as pessoas de férias para fora das fronteiras".


    Campo de férias, segundo Silvio Berlusconi

    Senhor Berlusconi, porque não vai fazer o papel do Duce, no tal filme do seu amigo realizador?
    E já agora, Senhor Berlusconi, vá-se foder!...

    Há gajos que metem mesmo nojo!...

    Publicado por Fernando @ 20:20 | Um Mundo de Cidadãos (3)

    [quinta-feira, 11 de setembro de 2003]

    No canto do armário

    Remexendo num armário - naquele canto do armário em que só se mexe quatro ou cinco vezes na vida - encontrei textos e poemas meus com mais de vinte anos. Do tempo em que escrever era para mim um acto de rebeldia e liberdade.
    Perdi o hábito de escrever há muitos anos, mas procuro retomá-lo novamente com este blogue.
    Entre o que encontrei, estava este soneto de 1981:

    No telejornal

    Vi morrer um soldado à minha frente.
    Avançava, arrastando cauteloso
    A arma que o tornava corajoso,
    Rastejava para a morte, lentamente.

    Nos olhos, um olhar perdido, ausente...
    De súbito, um estilhaço doloroso
    Cortou-lhe o pensamento nebuloso
    E morreu ali mesmo, de repente.

    Se o sangue derramado pelo chão
    Despertasse nos homens a consciência,
    E lhes soprasse a chama da razão...

    Mas nem com toda a sua inteligência
    Conseguem tirar uma conclusão
    De tanto chão manchado. Paciência...


    Ai, a ingenuidade dos 15 anos...

    Publicado por Fernando @ 15:00 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    Dois anos depois

    Uns dias após o atentado de 11 de Setembro, conheci um indivíduo que me garantiu que, analisando as imagens do choque dos aviões com o WTC em câmara lenta, se via nas bolas de fogo a cara de Satanás.
    Ao notar o meu ar de estupefacção, jurou-me a pés juntos que era verdade. E que até havia na Internet provas do que afirmava.

    À parte ter estranhado o facto de alguém conhecer a cara dessa mítica figura, lembro-me de ter pensado que, afinal há fundamentalismo religioso em todo o lado. Até nos indivíduos mais insuspeitos, como era o caso.
    E desenganem-se. Não há fundamentalismos religiosos piores ou melhores que outros. São todos igualmente perigosos.

    Ah, e já agora. Não acreditem em tudo o que vêem na Internet.

    Publicado por Fernando @ 14:25 | Um Mundo de Cidadãos (1)

    Esta guerra ao terrorismo é uma treta

    Li este artigo no The Guardian. Foi escrito por Michael Meacher, ex-Ministro do Ambiente da Grâ-Bretanha, intitula-se "This war on terrorism is bogus", e dá muito que pensar.
    Para uns, não passará de mais uma Teoria Anti-Americana. Para outros, mais uma confirmação de que o Imperialismo Americano continua a estender as suas garras.
    Eu, que à medida que vou ficando mais velho, cada vez sou mais de meios-termos (mas não de meias-tintas), espero para ver.

    Os Estados Unidos habituaram-nos ao longo do tempo a todo o tipo de malabarismos em nome da Liberdade e da Democracia, com o único propósito de meterem mais uns punhados de dólares no bolso. Não me admiraria por isso, que o que li fosse a mais pura das verdades.
    Espero, no entanto, estar enganado. Não me agradaria saber que vivo num país governado por alguém conivente com este tipo de actuação.

    Publicado por Fernando @ 13:28 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    Cinéfilo em part-time

    Vi no Contra a Corrente uma lista de deixas que perduram no imaginário dos cinéfilos (mesmo dos que o são em part-time, como é o meu caso).

    Aproveito para acrescentar mais algumas que me ficaram na memória.

    "It's not an easy thing to meet your maker."
    Roy Batty (Rutger Hauer) o replicant para Eldon Tyrrel (Joe Turkel), o seu criador, in Blade Runner

    "In Italy for thirty years under the Borgias they had warfare, terror, murder, bloodshed - but they produced Michelangelo, Leonardo da Vinci, and the Renaissance. In Switzerland they had brotherly love, 500 years of democracy and peace, and what did that produce? The cuckoo clock."
    Harry Lime (Orson Welles) in The Third Man

    "Couldn't you have your balls cut off?"
    Uma das crianças, sugerindo ao seu pai (Michael Palin) o que poderia ter feito para evitar ter mais filhos, in Meaning of Life

    "Ah I see you have the machine that goes BING!"
    O administrador do hospital (Michael Palin), satisfeito por ver o dinheiro ser bem gasto, in Meaning Of Life

    "There you are, your own office with your very own door."
    Mr. Warrenn (Ian Richardson) para Sam Lowry (Jonathan Pryce) in Brazil

    "My own credit card."
    Menina ao colo do Pai Natal, após este lhe perguntar o que queria no Natal, in Brazil

    "Care for a little necrophilia? Hmm?"
    Jill Layton (Kim Greist) para Sam Lowry (Jonathan Pryce), após este a informar que a julgavam morta, in Brazil

    "Information Transit got the wrong man. I got the right man. The wrong one was delivered to me as the right man, I accepted him on good faith as the right man. Was I wrong?"
    Jack Lint (Michael Palin), respondendo a Sam Lowry (Jonathan Pryce), que o acusara de apanhar o homem errado, in Brazil

    Citei o Brazil do Terry Gilliam quatro vezes. Para dizer a verdade, praticamente todas as frases deste filme podiam ser citadas. Revejo-o frequentemente, descobrindo de cada vez, pormenores que me haviam passado completamente despercebidos. Não há neste filme nada ao acaso. É um dos mais brilhantes, intrigantes e mordazes filmes que já vi. Falarei dele num futuro post.

    Publicado por Fernando @ 08:19 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    [sexta-feira, 05 de setembro de 2003]

    A importância da vírgula

    Ouvi há minutos um jornalista da SIC Notícias, ao referir as principais notícias dos jornais de hoje, dizer o seguinte: "Gilberto Madaíl diz que se fosse ele a escolher Baía, não ficava de fora."
    O que ele queria dizer era: "Gilberto Madaíl diz que se fosse ele a escolher, Baía não ficava de fora."

    Já perdi a conta às vezes que os nossos jornalistas mudam o sentido duma frase com estas alterações de pontuação. Na tentativa de criarem um estilo próprio, dinâmico, fresco, em movimento, eu sei lá..., usam inflexões de voz ridículas e pausas completamente despropositadas a meio das frases.
    A Alexandra Abreu Loureiro é o paradigma desta tendência. Quantas vezes desesperei a ouvi-la... Casos houve, em que simplesmente não consegui entender uma única frase proferida pela dita senhora, sem fazer um enorme esforço de repontuação mental.
    Felizmente, parece que os responsáveis pela SIC Notícias, passaram a partir de certa altura, a ver o próprio canal, e a moça desapareceu. Ufff!...

    A propósito, lembro-me que há alguns anos, quem lia as notícias não eram os jornalistas. Eram locutores. Pessoas com voz agradável e que, acima de tudo, sabiam ler e falar.
    Não podiam voltar ao mesmo sistema? A bem do serviço público.

    Publicado por Fernando @ 08:49 | Um Mundo de Cidadãos (0)

    Aos amigos

    Se, por um lado, me sentia há já algum tempo impelido a criar um blogue; por outro, algo cá dentro me demovia da ideia.
    A possibilidade de poder publicar o que me apetecer sem restrições, é um desafio a que eu dificilmente poderia resistir.
    Mas quando me apercebi da existência dos blogues, já existia toda esta espécie de moda à sua volta, o que me fez refrear o ímpeto de o criar.
    Sou averso a modas, pronto.

    Mas uma coisa aconteceu que me fez repensar tudo isto. A morte de um amigo.
    Não era um amigo qualquer. Era, simplesmente, o melhor amigo que se pode ter.

    Relembrando as inúmeras vezes que estivemos juntos em cerca de vinte anos, apercebi-me de que a maior parte dos melhores momentos da minha vida foram passados com ele (ou por causa dele).
    Dramaturgo com várias peças premiadas, encenador, escritor, democrata de fortes convicções polí­ticas e morais, era um homem que prezava a lealdade. E lealdade é a qualidade que define um amigo e que se espera de um amigo.

    As conversas prolongadas por horas e horas sobre tudo e mais alguma coisa, as jantaradas, as idas ao teatro, as discussões... Que nunca mais teremos...
    Pela primeira vez, a morte de alguém próximo deixou-me completamente destroçado e revoltado. Mais do que com parentes. Vamo-nos mentalizando ao longo da vida que, mais cedo ou mais tarde, os nossos avós, os nossos pais ou os nossos tios morrerão, mas nunca nos preparamos para a morte dos amigos.

    Não pensem, porém, que a criação deste blogue foi apenas uma cibernética tentativa de superar a sensação de solidão que me invadiu.
    O que me levou a criá-lo, foi a necessidade premente de vos dar a conhecer este, como eu, cidadão do mundo.

    Fernando Augusto, meu amigo, vamos sentir a tua falta...


    Fernando Augusto (1947-2003)


    Transcrevo a seguir o poema de Herberto Helder, cujo o título pedi emprestado para este post.


    Aos amigos

    Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
    Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
    com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
    Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
    dentro do fogo.
    -Temos um talento doloroso e obscuro.
    Construímos um lugar de silêncio.
    De paixão.


    Voltarei com assuntos mais alegres.
    Até breve.

    Publicado por Fernando @ 04:23 | Um Mundo de Cidadãos (2)