conheço-te desde sempre,
de impregnares de luz os meus medos,
de calares as minhas mais tenebrosas confissões,
do teu lado negro que, quantas vezes, foi também o meu.
conheço-te desde sempre,
companheira cúmplice
de noites de infinita bebedeira,
de viver de cabeça perdida em ti
– ai este rapaz que não ganha juízo!
conheço-te desde sempre,
de me acenares nas noites de insónia,
de velares o meu sono,
de me amansares os pesadelos,
de te transcenderes em estrela,
de me reinventares as marés.
conheço-te desde sempre,
das criaturas fantásticas que se metamorfoseiam por ti
quando te enches,
de recortares as silhuetas de feiticeiras voando.
conheço-te desde sempre,
de há tempos infindos
girares em infatigáveis translações
– Tu é que sabias, Galileo Galilei –,
esperando paciente
que eu te tivesse só para mim.
há vinte anos
perdeste a virgindade.
possuíram-te e cumpriu-se o sonho
de todos os que sabem sonhar...
– Tu também sabias, Júlio Verne.
há vinte anos
perdeste a virgindade...
mas continuas de prata e pura
navegando as minhas utopias.
conheço-te desde sempre,
de me enlaçares à vida,
sempre nova...
Julho de 1989
Publicado por Fernando @ 01:24Navegando as minhas utopias...
aih! Fernando quem me dera ser a Lua...
(Muitas vezes me sinto ela...sedutora e inatingível!)
Beijinho
Afixado por: betania em julho 22, 2004 09:28 PMGalileu, H.G. Wells e Julio Verne. Lunaticos. No bem sentido.
Belas palavras que honram a data. E que lembranca alegre, essa, do filme. Gostei demais da citacao, eu que sou uma "silent lady" perdida.
Afixado por: cath em julho 21, 2004 06:34 AM