Cidadão do Mundo


[domingo, 18 de julho de 2004]

Um voo cego a nada (*)

Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une – é estar ausentes.

Reinaldo Ferreira


(*) dedicado a um amigo pensado.

Publicado por Fernando @ 02:40
Comentários

E é tão bonito cantado pelo Fausto...
Eu Rosiiieeee...

Afixado por: miguel em julho 19, 2004 02:03 AM

Fui lá...mas hoje não está a aceitar comentários...dá erro! Abraço, WB

Afixado por: whiteball em julho 18, 2004 10:33 PM

Olha...eu não conhecia o poema...mas diz muita coisa...caracteriza muito bem uma situação! Se deixares, voltarei a invadir teu espaço...

Afixado por: blueshell em julho 18, 2004 10:29 PM

Como sempre, óptima escolha. Já lera o poema não sei onde mas não retivera a autoria. Curta vida,longa vida.

Afixado por: Henrique em julho 18, 2004 04:56 PM

reinaldo ferreira!!!! o poemário é inesgotável. obrigado.

Afixado por: juraan vink em julho 18, 2004 01:14 PM

Bonito, sem dúvida.

Afixado por: Atento em julho 18, 2004 12:46 PM