Cidadão do Mundo


[sábado, 29 de maio de 2004]

Súplica

Aqui me tens de peito aberto e cheio
e de alma bem desperta e renascida
buscando a redenção imerecida...
Eu que fui tão altivo, abjecto e feio.

Sei que te peço aquilo em que não creio,
mas rogo-te com força desmedida:
– Se me guiares à terra prometida
dar-me-ei a ti, todo, sem receio.

Não quero mais ser menos do que meio
corpo dilacerado e suicida...
Acolhe-me no teu fecundo seio!

Aponta-me uma luz, uma saída!
Desfaz os nós que me atam neste enleio
para que saiba viver-te, ó minha vida!

23 de Maio de 2004

Publicado por Fernando @ 09:14
Comentários

Agora fiquei triste: fui de novo invadida pelo RIAPA e companhia...Abraço, WB

Afixado por: whiteball em junho 1, 2004 10:02 PM

Quando é que os juntas todos e os publicas?

Afixado por: jacky em junho 1, 2004 01:16 AM

Querida Fernanda, este foi escrito há uma semana.
Quanto ao caderno perdido, lembro-me perfeitamente dele. Não me lembro é do que lá tinha escrito. Se calhar, felizmente. :)

Afixado por: Fernando em maio 31, 2004 10:57 PM

Isto é tudo inspiração ou encontraste o caderno que perdeste há uns 20 anos com poemas feitos por ti?! Também tinhas alguns em inglês, lembras-te?

Afixado por: Fernanda em maio 31, 2004 10:00 PM

Este blogue está há muito entre as nossas ligações. Seria para nós uma honra contar com a sua visita regular ao Forum Comunitário.

Cumprimentos blogistas
WR

Afixado por: WR em maio 30, 2004 01:49 AM

Fernando, quem sou eu para comentar algo que venha de ti, mas eu cá por mim, contentava-me só em poder viver a minha vida, mesmo às escuras e nem me dava ao trabalho de remexer nos nós para
os desatar.
Apenas "viver-te ó minha vida"...em paz e sossego (e até acho que já é pedir muito).

Obrigado pela força da tua "Súplica".

Afixado por: betania em maio 30, 2004 12:52 AM

Aponta-me uma luz, uma saída,
Desfaz os nós que me atam neste enleio,
Para que possa viver-te, ó minha vida!

Procuramos todos o mesmo, não é Fernando??

Os meus parabéns !! Está magnifico...

Afixado por: Maria em maio 29, 2004 01:16 PM

Mt bom este blogue:)

Saí do purgatório do vazio
E entrei depois num contentor em chamas
Eximi-me do esquálido elogio
Enquanto crestava seu telegrama.
Volvendo ao vácuo oco doentio
Percebi o seu amor e sua gama.
E a expiação infinita ameaça
Matar-me enquanto o turvo frio não passa.

albertovelasquez.blogspot.com

Afixado por: V em maio 29, 2004 01:08 PM

Este é mesmo soneto (e acabado). Ficava bem também no Puta de Vida. Muito bom.

Afixado por: TNT em maio 29, 2004 12:20 PM

Sim Valéria, fui eu. Quando não são meus, menciono o autor.
Obrigado pelas suas palavras e bom fim-de-semana.

Afixado por: Fernando em maio 29, 2004 09:49 AM

Mas...foi vc que escreveu isto?Mas isto É MUITO BOM!! Fora Amália viva, que decerto se encantaria com estes versos...

Afixado por: valeria em maio 29, 2004 09:40 AM