Hoje é dia de greve na função pública. Ao longo do dia ouvimos de cada um dos lados os números de adesão à dita, tão díspares como sempre.
Para aqueles intrigados com a possibilidade de, para um mesmo facto, existirem valores tão diferentes, deixo aqui um pequeno exemplo:
| Funcionários | Grevistas | Adesão | |
| Rep. Finanças | 10 | 10 | 100% |
| Escola | 20 | 10 | 50% |
| Hospital | 100 | 10 | 10% |
Qualquer destas análises é correcta mas, será que alguma delas reflecte o impacto da greve? A resposta é negativa.
Há outros factores que deveriam pesar na análise. Por exemplo:
Estes são apenas alguns dos factores que podem alterar a análise pura e simples dos números, mas que nunca são referidos. Tal como os economistas referidos no post anterior, os políticos também nos enganam com as percentagens.
Publicado por Fernando @ 21:25Ao utilizar-se como denominador o total de funcionários, presume-se que os que estão de férias ou a faltar por doença ou por licensa de gravidez estão a trabalhar e não fariam greve, o que reduz artificialmente a taxa de adesão. Uma forma de apresentar taxas de adesão sempre elevadas é contar os funcionários presentes (não grevistas) e presumir que os restantes fazem todos greve.
Qualquer dos métodos envieza a medição. Devem ser exluídos do universo (denominador) todos os funcionários ausetes por motivos que não a greve.
Afixado por: pepe em janeiro 24, 2004 02:32 PMBrilhante.
Afixado por: Rui em janeiro 24, 2004 12:34 AMVou dar um exemplo de manipulação que nós os tios usamos frequentemente: se o desemprego passar de 6 para 7% dizemos que o desemprego aumentou 1 ponto percentual; mas se o desemprego baixar de 7 para 6,5% dizemos que houve uma redução de 7% no desemprego. Aprende-se imensêeeeerrimo com os tios, não é?
Afixado por: TNT em janeiro 23, 2004 11:46 PM