Zenon era um ucraniano licenciado em filosofia.
Veio para Portugal à procura duma vida melhor para si e para a sua família, e só conseguiu rebentar as mãos nas vindimas, antes de ir trabalhar numa fábrica de cadeiras. Isto, antes de se tornar prisioneiro duma leucemia que o atirou para uma cama de hospital, e que lhe cortou os sonhos pela raíz.
Zenon, que tinha por única visita diária o seu patrão, era um indivíduo inteligente, e sabia que ia morrer sem voltar a ver a mulher e o filho. Não tinha dinheiro para regressar à terra que o viu nascer.
Zenon morreu a milhares de quilómetros de casa, num enorme sofrimento, e foi enterrado numa vala comum. Ninguém quis pagar a trasladação do corpo. Nem o patrão, nem o estado português, nem o ucraniano.
Zenon nunca chegou ao fim do trajecto sonhado. Vítima das dicotomias da vida, ficou algures pela metade da metade da metade do caminho...
Publicado por Fernando @ 12:56que horror!
Afixado por: Susana em dezembro 9, 2003 01:47 PMÉ cath... Infelizmente é.
Afixado por: Fernando em dezembro 9, 2003 02:45 AMso nao se pode usar essa alegoria em uma aula para estudantes de qualquer ciencia, que eles desistiriam, dado que esse deve ser o destino de muitos graduados... mas a historia eh verdadeira?
Afixado por: cath em dezembro 9, 2003 01:55 AMMais uma bela parábola de casos que se repetem (infelizmente) demasiadas vezes. Pena que as soluções para este caso não cumpram o paradoxo da dicotomia. É que para cumprirem teria de iniciar o trajecto, de sair do ponto de partida... e nada é feito para resolver estas situações.
Afixado por: João em dezembro 8, 2003 05:58 PMFernando, mais uma história que nos envergonha como seres humanos.
Afixado por: Rui em dezembro 8, 2003 10:11 AM