
Lisboa
Alguém diz com lentidão:
«Lisboa, sabes...»
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.
Eu sei. E tu, sabias?
Eugénio de Andrade, Coração do Dia, 1958
Esse é um dos mistérios de Lisboa: apesar de velhinha, será sempre menina e moça para os que a amam.
E deve ser precisamente porque continua a ser amada que nunca envelhece.
Afixado por: Sónia em novembro 28, 2003 12:54 PMConcordo contigo, Rui. Ouvi este poema pela primeira vez na voz do Luis Represas, há mais de vinte anos.
Parece que foi ontem...
então cantado pelos Trovante ainda consegue ser mais bonito!!
Afixado por: Rui Almeida em novembro 27, 2003 09:05 PMBela descrição poética de uma cidade tão bonita quanto antiga feita por um grande poeta. Também gosto muito da descrição do Ary dos Santos em "Lisboa, Menina e Moça". um abraço.
Afixado por: João em novembro 27, 2003 09:08 AM