Cidadão do Mundo


[quinta-feira, 27 de novembro de 2003]

Eu também sei

Lisboa
Lisboa

Alguém diz com lentidão:
«Lisboa, sabes...»
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.

Eu sei. E tu, sabias?


Eugénio de Andrade, Coração do Dia, 1958

Publicado por Fernando @ 04:50
Comentários

Esse é um dos mistérios de Lisboa: apesar de velhinha, será sempre menina e moça para os que a amam.

E deve ser precisamente porque continua a ser amada que nunca envelhece.

Afixado por: Sónia em novembro 28, 2003 12:54 PM

Concordo contigo, Rui. Ouvi este poema pela primeira vez na voz do Luis Represas, há mais de vinte anos.
Parece que foi ontem...

Afixado por: Fernando em novembro 28, 2003 07:52 AM

então cantado pelos Trovante ainda consegue ser mais bonito!!

Afixado por: Rui Almeida em novembro 27, 2003 09:05 PM

Bela descrição poética de uma cidade tão bonita quanto antiga feita por um grande poeta. Também gosto muito da descrição do Ary dos Santos em "Lisboa, Menina e Moça". um abraço.

Afixado por: João em novembro 27, 2003 09:08 AM