As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967
Um dos meus favoritos. Obrigada!
Afixado por: Sónia em novembro 21, 2003 12:54 PMReconheço que não sou um grande conhecedor da poesia do Manuel Alegre. Mas o pouco que conheço gosto. Tenho de dedicar-me mais à poesia, lê-la e apreender o seu significado. Um abraço.
Afixado por: João em novembro 21, 2003 10:55 AMUm dia Amália contou-me que quando decidiu juntamente com Alain Oulman cantar Manuel Alegre, viu-se com a dificuldade de contactá-lo, porque ele se encontrava na Argélia. Mas,lá conseguiu encontrá-lo e pedir-lhe por escrito permissão para "cantá-lo"... Também eu deliro com os versos de MAnuel Alegre,e canto-o. Sempre! Um dia que volte a gravar, terei forçosamente de incluir Alegre no reportorio do disco. Será então,a minha vez de escrever ao poeta,pedindo-lhe permissão para gravá-lo,em tom de fado...(...é tão bom sonhar...)
Afixado por: Valeria Mendez em novembro 21, 2003 04:59 AM