Do álbum de Carlos do Carmo com o mesmo nome, editado em 1977.
Provavelmente, o melhor disco de música portuguesa da década de 70, e seguramente, um dos dez melhores de sempre.
Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.
O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!
Poema de Ary dos Santos
Música de José Luís Tinoco
Boas.
Eu cá, embora não conhecendo em pormenor o disco, considero que a canção "Um homem na cidade" é das coisas mais bonitas que alguma vez se fez cantado em Português.
e só de ouvir fico arrepiado.
E o Carlos do Carmo é um Senhor!!!!
ps alguém me pode arranjar o mp3 deste tema. não encontro em lado algum...
Afixado por: João Gustavo em dezembro 21, 2003 05:07 PMCaro Zé, se considera a voz melodiosa, afinal do que não gosta é da interpretação, e não do timbre. E está no seu direito de não gostar.
Agora, o facto de não gostar da interpretação dum artista, não retira valor nenhum a uma canção. O que mais há para aí são boas canções mal cantadas (com má interpretação, má dicção, para já não falar da afinação). Uma canção é uma obra que vale por si.
E Um Homem na Cidade é uma disco com algumas das melhores canções escritas em português. O facto de gostar ou não gostar, não altera o facto de esse disco ser mesmo (e não sou só eu que o digo) um dos dez melhores de sempre da música portuguesa.
Deixo-lhe um bom conselho: oiça o disco.
É que tenho grandes dúvidas que alguma vez o tenha ouvido na totalidade. É a minha opinião e se não gostou as minhas desculpas...
Provavelmente, o melhor disco de música portuguesa da década de 70, e seguramente, um dos dez melhores de sempre.
Realmente...Cá para mim o que está acima descrito é um dos maiores disparates que tenho ouvido, a nível musical,nos dias da minha vida e olhem que para ter 100 anos só me falta aí uns 50.
Não tenho dúvidas que a letra é boa a musica idem,mas daí até ao que foi dito valha-me Deus.
Já agora pergunto eu e para os milhares e milhares de Portugueses,comigo incluído;que não gostam do timbre de voz do Carlos do Carmo?Que embora melodiosa ,põe um tom no que interpreta que nós nem sabemos se aquilo é carne ou peixe.
É a minha opinião e quem não gostou as minhas desculpas...
Zé
Ouvir Carlos do Carmo (música, poemas e interpretação) é um prazer enorme, por vezes, de vir ás lágrimas.
Uma esperança de renovação. Afinal, as elites existem, mas só raramente aparecem nos media. Um dos poucos momentos em que se gosta de conhecer e fazer parte deste país.
Se me é permitido, deixo aqui um site sobre Ary que fala de Carlos do Carmo: http://www.jacm.net/ary/carlosdocarmo/
Carlos do Carmo é um Senhor - Sónia o que se passa para não simpatizar com ele? empertigado ? Longe disso. Alto nível. Deixo aqui uma das entrevistas: http://www.joelneto.com/reportagens/jacomeceiacantar.htm
Cumps,
Afixado por: ncs em novembro 13, 2003 03:11 AMCara Valéria, expressei-me mal. Escrevi "corolário", quando o que pretendia era dizer "sequência". No entanto, corolário não me parece mal, uma vez que a própria Valéria, considera "Com que voz", melhor do que o posterior "Cantigas numa língua antiga" (sendo para si os dois da mesma década).
Para mim, um disco não é da altura em recebeu prémios, é da altura em que saiu ou, em certos casos, da altura em que foi gravado ou até "pensado".
Mas, volto a dizer, o que menos interessa nisto tudo é a década a que pertence o raio do disco. Já se percebeu que estamos de acordo no essencial: "Com que voz" e "Um homem na cidade", são duas obras maiores da música portuguesa, e o resto são cantigas.
Afixado por: Fernando em novembro 7, 2003 07:08 PMAmigo Fernendo.estará enganado em relação a várias coisas.O Com que voz, é considerado um albul da década de setenta dadaos os prémios que recebeu durante essa década.Só em 74 é que foi editado em França ou Japãp,por isso a sua interpretaçaõ está quanto a mim menos bem.Outra coisa-o corolário da participação de Oulman com Amália, é o ultimo album de inéditos inteiramente composto por Oulman e que se intitula Cantigas numa lingua antiga,editado em 77.No entanto a colabotraçaõ de Oulman com amália iria até 91, em que Ama´lia edita o seu ultimo album de inéditos e nele inclui alguns temas co compositor.Continuo portanto a afirmar que o melhor album de 70 é o Com que voz,Desculpe lá...
Afixado por: Valeria Mendez em novembro 7, 2003 05:19 PMO Mundo Gay não tem limites...
Afixado por: JCS em novembro 7, 2003 04:33 PMIt's a Sónia...
Afixado por: Fernando em novembro 7, 2003 02:43 PMNão simpatizo muito com o senhor, que me parece um bocado empertigado, mas admito que tem uma bela voz, uma presença digna e, acima de tudo, um reportório excelente. Tudo o que ele canta é bom e quando canta Lisboa confesso que choro como a apaneleirada que sou!
Afixado por: Sónia em novembro 7, 2003 02:29 PMDeixa lá Zé Carlos. Não te sintas mal.
O fado é uma rotice pegada, e o Carlos do Carmo é obviamente abichanado. Eh, eh.
Se eu fosse de frustrações até me sentia mal...quase que me senti um E.T. por assumir não gostar de Carlos do Carmo...desculpem lá qualquer coisinha...
Afixado por: JCS em novembro 7, 2003 01:48 AMCara Valeria, também sou amaliano e concordo com a generalidade do que escreveu. Há, no entanto, um ou outro ponto que gostaria de esclarecer.
O álbum "Com que voz" foi editado em 1970, logo é da década de 60, e é mesmo o melhor dessa década. É o corolário natural do trabalho de Oulman, na sequência de "Busto"(1962) e de "Fado Português"(1965), para referir só os LPs.
O facto de um disco ser "o mais" premiado, não o torna "o melhor" só por isso. O que, repito, não é o caso do "Com que voz".
Quando escrevo "provavelmente", é porque ainda tenho algumas dúvidas.
Quando escrevo "seguramente", é porque tenho a certeza.
É claro que, ser ou não o melhor, é o que menos interessa. O que é realmente importante é que as pessoas ouçam o que de melhor se faz e fez neste país que tanto mal-trata os seus artistas.
Afixado por: Fernando em novembro 6, 2003 03:04 PMPartilho essa admiração pelo cantor e pela pessoa. Um motivo de orgulho de ser português. Esta e outras canções dele fazem parte do espólio mais rico da música portuguesa. Nunca me canso de ouvir na sua voz "No teu poema", de José Luís Tinoco.
Afixado por: Rui em novembro 6, 2003 02:57 PMEu apesar de não conhecer profundamente a obra do José Carlos Ary dos Santos, tudo quanto conheço gosto. São da sua autoria, alguns dos mais belos poemas cantados na música portuguesa. A sua compreensão e domínio da Língua Portuguesa só está ao alcance dos privilegiados. Ele "brincava" com as palavras e conseguia através delas exprimir tudo o que lhe ia na alma. Obrigado Fernando por me mostrares mais uma destas "brincadeiras".
Afixado por: João em novembro 6, 2003 09:50 AMPois bem.Vou pedir-lhe licença para algum esclarecimento,sublinhando antes do mais que adoro Carlos do Carmo,um exemplo de talento e inteligência na Musica Portuguesa do sec.XX.Agora vamos aos pontos nos iiis. O album português da década de setenta, mais premiado foi o Com que voz, que aliáis inclui coisas do Ary,como também de Alexandre Oneil,Camões,Manuel Alegre,etc.Cito três grandes prémios desse album:Premio da Critica discografica italiana/Grand Prix Du Disque,França/ Grand Prix de L`Académie des Arts et des Lettres de Paris.Concluindo o Homem na cidade será talvez um dos dois ou três albuns da década de setenta mas seguramente não foi o melhor, nem o mais galardoado. Sublinho ainda que na década de setenta Amália viria a ganhar o Grand Prix Midem com o album "Fandangueiro",e receberia do Japão o Prémio da Crítica para o melhor disco estrangeiro do ano, consecutivamente com Com que voz, Ao vivo no Japão, Cantigas numa língua antiga e Encontro com Don Byas. Dificilmente CArlos do Carmo chegará a tamanhas proezas.Contudo, o charmoso, é quanto a mim o melhor fadista do seculo XX, depois de Marceneiro,que como deve saber deu ao Fado os primeiros caminhos em termos de estilização.Como amaliana,devo dizer que os versos de Ary,encontram-se entre os melhores temas do reportório da diva.Poemas como Alfama, Amendoa Amarga,Meu Amor ou o divertido O meu é teu são verdadeiramente geniais...
Afixado por: Valeria Mendez em novembro 6, 2003 05:54 AMGosto do Zé Carlos, o Ary... não gosto de Carlos do Carmo... mas também quem sou eu?
Afixado por: JCS em novembro 6, 2003 05:32 AM