Cidadão do Mundo


[quinta-feira, 11 de setembro de 2003]

No canto do armário

Remexendo num armário - naquele canto do armário em que só se mexe quatro ou cinco vezes na vida - encontrei textos e poemas meus com mais de vinte anos. Do tempo em que escrever era para mim um acto de rebeldia e liberdade.
Perdi o hábito de escrever há muitos anos, mas procuro retomá-lo novamente com este blogue.
Entre o que encontrei, estava este soneto de 1981:

No telejornal

Vi morrer um soldado à minha frente.
Avançava, arrastando cauteloso
A arma que o tornava corajoso,
Rastejava para a morte, lentamente.

Nos olhos, um olhar perdido, ausente...
De súbito, um estilhaço doloroso
Cortou-lhe o pensamento nebuloso
E morreu ali mesmo, de repente.

Se o sangue derramado pelo chão
Despertasse nos homens a consciência,
E lhes soprasse a chama da razão...

Mas nem com toda a sua inteligência
Conseguem tirar uma conclusão
De tanto chão manchado. Paciência...


Ai, a ingenuidade dos 15 anos...

Publicado por Fernando @ 15:00
Comentários

Continuo impressionada!

Afixado por: jacky em novembro 13, 2003 02:16 PM