Remexendo num armário - naquele canto do armário em que só se mexe quatro ou cinco vezes na vida - encontrei textos e poemas meus com mais de vinte anos. Do tempo em que escrever era para mim um acto de rebeldia e liberdade.
Perdi o hábito de escrever há muitos anos, mas procuro retomá-lo novamente com este blogue.
Entre o que encontrei, estava este soneto de 1981:
No telejornal
Vi morrer um soldado à minha frente.
Avançava, arrastando cauteloso
A arma que o tornava corajoso,
Rastejava para a morte, lentamente.
Nos olhos, um olhar perdido, ausente...
De súbito, um estilhaço doloroso
Cortou-lhe o pensamento nebuloso
E morreu ali mesmo, de repente.
Se o sangue derramado pelo chão
Despertasse nos homens a consciência,
E lhes soprasse a chama da razão...
Mas nem com toda a sua inteligência
Conseguem tirar uma conclusão
De tanto chão manchado. Paciência...
Ai, a ingenuidade dos 15 anos...
Continuo impressionada!
Afixado por: jacky em novembro 13, 2003 02:16 PM